Expodireto: Cautela do produtor não impede realização de negócios

Maior atenção por parte de produtores é reflexo direto da estiagemExpodireto: Cautela do produtor não impede realização de negócios

Maior atenção por parte de produtores é reflexo direto da estiagem

ALEXANDRO AULER/JC

Thiago Copetti, de Não-Me-Toque

Um produtor mais observador e cauteloso – já que boa parte ainda não sabe exatamente o que vai colher nesta safra -, mas ainda assim, que pesquisa preços, taxas e condições. É esse o perfil mais marcante dos agricultores que passam pela Expodireto em 2020, que termina nesta sexta-feira (7) em Não-Me-Toque. A cautela vem, é claro, como reflexo da estiagem.

“O produtor está olhando e pesquisando, mas, mais do que nunca, antes de encaminhar uma proposta de financiamento, está voltando para casa, discutindo com a família e calculando melhor o que vai fazer”, avalia o presidente da Sicredi Cooperação RS/SC, Gervásio Diel. A cooperativa abrange 29 municípios dos dois Estados, .

Esse comportamento observador, porém, não impediu o fechamento de negócios e, em alguns casos, em volume maior do que no ano passado. Até por que a estiagem não afetou todo o Rio Grande do Sul da mesma maneira, observa Claíse Rauber, diretora de Produtos, Segmentos e Canais Digitais do Banrisul.

“São dois movimentos: há o produtor que foi muito bem nesta safra e está investindo, e aquele que ainda não colheu, está interessado mas vai esperar um pouco mais para decidir. Há muita intenção de compra que, chovendo nos próximos dias onde é necessário, ainda vão se concretizar ainda”, avalia Claíse.

Diretor de Mercado da CNH Industrial para o Brasil, Eduardo Kerbauy também avalia que o agricultor passou pela feira com mais precaução antes de tomar decisões que impactam de forma mais forte as finanças da propriedade. O que inclui, é claro, a aquisição de máquinas agrícolas. A grande incerteza dos produtores gaúchos, hoje, é sobre como ficará a sua produtividade.

“O agricultor veio mais retraído. Veio mais para sondar e está deixando a decisão de compra para mais tarde. Ele ainda aguarda a chuva para tomar a decisão. Mas tem produtor que colheu bem, tem bom preço de venda com o dólar em alta e já chegou querendo comprar”, compara Kerbauy.

Eduardo Martini, gerente de vendas da John Deere no Brasil, apesar de concordar que a estiagem afeta o bolso do produtor, estima que as intenções de compra encaminhadas na feira devem ficar próximas do ano passado. Mas, para estimular ainda mais os negócios da companhia ao longo do ano, a fabricante está fazendo um aporte extra de recursos para financiar algumas operações.

“Buscando nos preparar para o futuro e captamos no mercado cerca de R$ 300 milhões, por meio de CDI emitidas pelo Banco John Deere, que serão direcionados, neste momento, ao pós-venda, ou seja, compra de peças e serviços para manutenção preventiva de máquinas”, explica Martini.

Cresce a demanda por financiamentos atrelados ao euro e ao dólar

Dentro desse cenário de precaução, a venda de máquinas agrícolas nesta edição da Expodireto exigiu dos fabricantes o reforço de algumas estratégias para garantir os negócios presentes e futuros. Aportar mais recursos próprios para conseguir fechar negócios e financiar essa compra e maior demanda por atrelar os parcelamentos às cotações do dólar e do euro são duas destas ações.
“Linhas atreladas a euro e dólar têm sido uma boa alternativa ao produtor que exporta. Temos uma linha de crédito atrelada ao euro, por exemplo, com taxa de 4,5% ao ano. É uma ferramenta que já temos há mais de cinco anos e que nós mesmos, talvez, explorássemos pouco”, analisa Eduardo Nunes, diretor de vendas da Massey Ferguson.
Alexandre de Assis, diretor de vendas da Valtra, também destaca o atrelamento de financiamento ao euro com uma demanda crescente. A quem avalia que esse negócio teria um componente extra de riscos dada a volatilidade do câmbio no Brasil, Assis assegura que há uma boa margem de segurança nas cotações atuais e que estimulam esse negócio.
“O travamento em euro cresceu muito desde o ano passado. Como o produtor de soja em geral já lida com travamento de venda, o hedge, ele está acostumado com isso, mas ainda é uma quebra de paradigma na compra de máquinas”, analisa Assis.

Fonte : Jornal do Comércio

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