Expansão no setor de motomecanização

Quem trabalha na área tem grandes desafios: quando já se fala em agricultura 4.0, muitos ainda nem estão na 2.0

Em 30 anos, a colheita mecanizada chegou a mais de 90% em 2016 Em 30 anos, a colheita mecanizada chegou a mais de 90% em 2016
Foto: Divulgação

Ribeirão Preto – Ao longo das últimas três décadas, o Grupo de Motomecanização do Setor Sucroenergético (GMEC) exerceu papel fundamental na consolidação da mecanização na agroindústria canavieira do Brasil.

Para celebrar esta história junto ao setor, o GMEC promove amanhã (23), no Hotel JP, em Ribeirão Preto um Seminário Comemorativo dos 30 anos do Grupo. Esse foi um período em que, na colheita mecanizada, operações com máquinas saltaram de índices insignificantes em meados dos anos 1980, para mais de 90% em 2016. Pela intensa contribuição que o GMEC ofereceu ao setor sucroenergético nos últimos anos, o grupo tem muito a comemorar, de acordo com Agapito, gerente de motomecanização da Usina Santa Isabel e coordenador do GMEC que participa ativamente das reuniões desde 2006.

A ideia de reunir os responsáveis pela manutenção e motomecanização do setor canavieiro nasceu em um treinamento de gerência de Manutenção de Frota na fábrica da Mercedes Benz, em São Bernardo do Campo, em 1986. Na época a mecanização se restringia a caminhões e implementos, máquinas para colheita ainda eram para poucos, e o plantio mecanizado era um tabu.

Segundo Dário Sodré, diretor da D2G Consultoria e um dos idealizadores do grupo, o GMEC foi extremamente importante no processo, uma vez que seus integrantes, de certa forma, auxiliaram no desenvolvimento de equipamentos e processos, principalmente porque, na época, as operações em cana-de-açúcar no Brasil eram totalmente diferentes da Austrália, Cuba, Estados Unidos e outros produtores. "Tivemos que ‘tropicalizar’ equipamentos, especialmente tratores, colhedoras e similares", explica Sodré.

Ele lembra que, com o decorrer dos anos e o trabalho intenso do grupo – sempre em sintonia com usinas, produtores de cana e fabricantes de equipamentos -, o processo de mecanização da cana no Brasil resultou em uma tecnologia "high tech", que hoje é exportada para outros países.

Segundo Agapito, os desafios são diferentes de 30 anos atrás e certamente diferentes também dos canaviais do futuro. "As novas tecnologias não param de chegar ao campo, mas é preciso mostrar aos fabricantes de que forma devem ser melhor aproveitadas no campo. Falamos tanto de tecnologias eletrônicas embarcadas quanto do uso de materiais mais nobres nas máquinas que permitam que elas interrompam menos os trabalhos no campo". A importância do grupo está na oportunidade de propiciar a integração entre o pessoal envolvido na motomecanização das unidades sem dispersão, sem discriminação de acesso à informação.

"Além de comemorar os 30 anos, o evento marcará a nova fase do GMEC. Nossa intenção é contar de novo com profissionais que já ajudaram no passado e ainda têm muito a contribuir, além de abrir espaço para novos na área e de um número ainda maior de usinas, esta integração é fundamental. Daí vêm as consequências do trabalho do grupo, como o desenvolvimento de equipamentos novos, a cobrança e o auxílio no aperfeiçoamento das máquinas por parte dos fabricantes, troca de conhecimento", relata Agapito.

Para Dario Sodré, os homens que trabalham nas áreas de manutenção e motomecanização têm um desafio enorme, pois quando já se fala em agricultura 4.0, muitos nem chegaram ainda na 2.0. Hoje estão no comando Wilson Agapito (gerente de Motomecanização da Usina Santa Isabel), Edimilson Gomes Leal (gerente de Manutenção da Ferrari Agroindustrial), e Anselmo Dimas Ferrari (gerente de Manutenção Automotiva da CFM). Time que responde por fortalecer a atuação do GMEC.

Bete Cervi

Fonte : DCI

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