Expansão de usina de biodiesel estimula produtores a investirem nas culturas, que garantem bons lucros.

A Usina Darcy Ribeiro terá sua capacidade de produção aumentada em 40%, de 108,6 milhões de litros para 152 milhões

A divulgação no final de janeiro dos planos da Petrobras Biocombustível, que vai investir R$ 28 milhões na expansão da produção da usina de biodiesel Darcy Ribeiro, localizada em Montes Claros, no Norte de Minas, deverá incentivar a ampliação da produção de girassol e mamona no Estado. As culturas, consideradas lucrativas, têm grande potencial de expansão no Norte e Centro-Oeste do Estado, uma vez que tanto o solo como o clima são favoráveis a essas culturas.

De acordo com o extensionista da Empresa da Assistência Técnica e Extensão Rural de Minas Gerais (Emater-MG), da unidade Matias Cardoso, no Norte de Minas, Welton José de Melo, por ser uma cultura rentável os produtores da região deverão ampliar a produção de mamona nos próximos anos.

"O projeto da Petrobras voltado para a produção de biodiesel está trazendo novas oportunidades para os produtores do Norte do Estado. Devido ao clima seco, a produção de mamona se tornou viável. Além de garantir o rendimento, todo o volume gerado tem comercialização garantida com a empresa", diz Melo.

Ainda segundo o extensionista, os preços lucrativos têm despertado o interesse dos produtores, que além de investirem na ampliação da área cultivada nos últimos anos também investem na estruturação e nos cuidados exigidos pela mamona, como a adubação correta.

"A cultura é bem resistente às pragas e doenças e, por isso, não exige cuidados tão rigorosos por parte dos produtores. Porém todos os investimentos têm como resultado a maior produtividade. Além disso, mesmo com um período maior de seca, a produção não é perdida, como acontece com o milho, o que incentiva o ingresso de novos agricultores", acrescenta.

De acordo com os dados da Emater-MG, os preços pagos pela mamona são lucrativos. O quilo do produto com casca é comercializado com a Petrobras em torno de R$ 0,60. Já o produto limpo é melhor remunerado, podendo os preços alcançarem R$ 1,20.

Segundo os dados da Secretaria de Estado da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa), a principal região produtora de mamona no Estado é a Norte, respondendo por 99,13% da produção total. Em 2011, foram geradas na região 6,02 mil toneladas do produto, em uma área da 6,8 mil hectares.

O principal município produtor de mamonas é Matias Cardoso, que em 2011 colheu 1,75 mil toneladas do produto. A área ocupada pela cultura gira em torno de 1,2 mil hectares.

Ampliação – O protocolo de intenção assinado entre o governo de Minas e a presidência da Petrobras prevê uma ampliação de 40% na produção da unidade, que passará dos atuais 108,6 milhões de litros de biodiesel para 152 milhões de litros ao ano. A previsão é de que as obras de ampliação sejam finalizadas em julho deste ano.

Segundo a assessoria da Petrobras, o número de agricultores familiares que fornecem as matérias-primas, soja, girassol e mamona, saltará de 3,2 mil para 4,5 mil.

"Com o anúncio do projeto de expansão da usina da biodiesel da Petrobras a tendência é de que os produtores ampliem o cultivo da mamona, já que o mercado é garantindo e os preços são vantajosos", diz Melo.

Outra cultura que terá a expansão voltada para a produção de biodiesel é o girassol. De acordo com o extensionista da Emater-MG, unidade Luz, no Centro-Oeste de Minas Gerais, José Luis de Faria, os produtores da região estão substituindo o milho safrinha pelo girassol, por ser mais resistente à estiagem e ao frio.

"Desde o ano passado temos percebido um aumento no interesse dos produtores pelo girassol. Além de reduzir as chances de perdas no período de maior estiagem, como acontece com o milho, o girassol tem mercado garantido junto à Petrobras. Em 2011 foram 450 hectares da AGRICULTURA FAMILIAR e 1 mil da agricultura de grande porte cultivados com o girassol", acrescenta.

Em Luz, os principais produtores são de médio porte, mas a tendência é que os pequenos sejam introduzidos no sistema. Técnicos da Petrobras estão visitando os produtores e prestando assistência técnica. Outro incentivo para expandir a produção é o sistema de transporte do girassol, que é bancado pela empresa. O preço pago pelo quilo do produto gira em torno de R$ 0,75, valor suficiente para cobrir os gastos com a cultura e gerar lucro.

"Além da vantagem econômica, o girassol é uma excelente opção para a rotação de cultura. Quem investiu no produto durante a safra de 2011, está observando resultados melhores no desenvolvimento do milho da primeira safra", diz Melo.

De acordo com os dados da Seapa, a área prevista para a cultura na safra 2011/12 é de 5,4 mil hectares. A produtividade média gira em torno de 1,1 tonelada por hectare, e a produção deverá alcançar 6,3 mil toneladas.

Fonte: DIÁRIO DO COMÉRCIO – MG  | MICHELLE VALVERDE. | AGÊNCIA PETROBRAS

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