Expansão da oferta global de adubos arrefece

Daniel Acker/Bloomberg / Daniel Acker/Bloomberg
Bill Doyle, presidente e CEO da Potash, gigante canadense de fertilizantes: empresa responsabiliza seca nos Estados Unidos por fechamento de mina de potássio

Apesar das previsões de colheita recorde de grãos na América do Sul nesta safra 2012/13 e da expectativa de recuperação da produção nos Estados Unidos no próximo ciclo (2013/14), a seca que castiga as lavouras americanas atualmente afetou as atividades da canadense Potash, uma das maiores empresas de fertilizantes do mundo. Na semana passada, a companhia informou em seu site que vai desativar em setembro uma mina de potássio em Lanigan, Saskatchewan, com capacidade para 3,4 milhões de toneladas/ano.

Não é a primeira vez que recentemente grandes empresas do segmento anunciam redução da produção com o argumento de recuo da demanda. No início deste ano, o mesmo aconteceu em um momento de queda dos preços internacionais dos principais ingredientes utilizados nos adubos.

Segundo a Potash, a desativação da mina canadense é uma prática consistente de adequação entre a oferta e a demanda do mercado, e segue a perspectiva de incertezas que cercam a procura por potássio diante da pior seca nos EUA em pelo menos meio século. Uma temporada fraca em crescimento pode significar que o nutriente usado pelos agricultores na primavera não será totalmente absorvido pelas culturas e permanecerá no solo, o que significará menos necessidade de aplicação na próxima temporada, explicou a empresa.

Análise do Scotiabank argumenta que seria mesmo importante aos players do segmento de fertilizantes adiar projetos, diante da demanda e do número de projetos brownfield (a partir de uma estrutura já montada) de baixo custo que devem entrar em produção nos próximos cinco anos, além de cerca de 100 projetos greenfield (que começam do zero).

A menos que a demanda por nutrientes de fertilizantes quadruplique no fim da década, o banco considera que haverá mais anúncios como o da brasileira Vale, que também informou na semana passada o "abandono" das atividades de uma mina no Canadá, adquirida em 2009 como parte de um grande pacote de ativos. A empresa citou o clima de incerteza econômica global para a mudança de planos.

O diretor-executivo da Associação dos Misturadores de Adubos do Brasil (Ama), Carlos Eduardo Florence, acredita que há um certo "exagero" na reação dessas grandes empresas. China, Índia e EUA representam mais de 60% do mercado consumidor de fertilizantes. Florence pondera que, como acontece em outras áreas, qualquer "titubeada" da China – responsável por cerca de 35% do consumo global de adubos – provoca nervosismo nas companhias, principalmente quando começa a haver redução nos preços dos nutrientes.

Ele afirma que os preços praticados atualmente são remuneradores para esses conglomerados. Tanto que algumas múltis mostraram resultados positivos no segundo trimestre do ano em relação ao mesmo intervalo de 2011. A também canadense Agrium registrou lucro líquido 19,8% maior no período e a norueguesa Yara teve aumento de 25,56% nos ganhos. Já a Potash teve lucro 37,8% menor e a Mosaic amargou queda de 21,9%.

Sobre a seca nos EUA, Florence comenta, ainda, que os produtores americanos vão ter de voltar ao mercado e plantar para compensar as perdas em algumas culturas, aumentando a produção de trigo, soja, por exemplo. "Tudo passa depressa, é muito pontual", afirma.

Além disso, a expectativa é de demanda forte por adubos em mercados como o Brasil, China e Índia. Em junho, antes da maior divulgação dos problemas da seca na agropecuária americana, a Associação Internacional da Indústria de Fertilizantes (IFA, na sigla em inglês) divulgou relatório no qual previu aumento da demanda mundial nos próximos quatro anos em resposta aos fundamentos sólidos do mercado.

Mas a IFA alertou que a expansão da oferta perdeu força em razão do atraso de metade dos projetos previstos. A IFA estima que o crescimento deve ser superior a 2,8% na safra 2011/12 e de 2,5% em 2012/13, para 181 milhões de toneladas de nutrientes (nitrogênio, fosfato e potássio). (Com Dow Jones Newswires)

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Fonte: Valor | Por Carine Ferreira | De São Paulo

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