Executivo ajudou a ‘resgatar’ Petrobras

Ivan Monteiro e Pedro Parente reeditarão na BRF a dobradinha que esteve à frente do processo de recuperação da Petrobras nos últimos anos. Monteiro entrou na estatal em fevereiro de 2015, ainda durante o governo Dilma Rousseff, como diretor financeiro e de relações com investidores. O executivo veio do Banco do Brasil junto com Aldemir Bendine, então presidente da instituição e que assumiu o comando da petroleira com a missão de recuperar a imagem da companhia.

No centro de um escândalo de corrupção bilionário, denunciada pelas investigações da Lava Jato, a Petrobras estava com sua imagem desgastada. Devido às dificuldades de contabilizar as perdas decorrentes da corrupção, a estatal não tinha prazo para fechar o balanço auditado de 2014. Monteiro coordenou, então, o trabalho que levou à divulgação das demonstrações financeiras, em abril de 2015: um prejuízo de R$ 21,6 bilhões em 2014, puxado por uma desvalorização de ativos de R$ 44,6 bilhões e baixa contábil decorrente de pagamentos indevidos identificados no âmbito da Lava-Jato de R$ 6,2 bilhões.

Diante de uma dívida líquida de US$ 106 bilhões no fim de 2014, Monteiro estruturou um programa vultuoso de desinvestimentos – de US$ 13,7 bilhões, para o biênio 2015/2016 e US$ 21 bilhões para 2017/2018. A meta era reduzir a alavancagem, medida pela dívida líquida/Ebitda, de 4,77 vezes ao término de 2014 para 2,5 vezes no fim de 2018. O programa de venda de ativos não alcançou a meta, mas a Petrobras, beneficiada pela alta dos preços do petróleo e pela gestão da dívida, já havia reduzido seu endividamento para US$ 72,9 bilhões e a alavancagem para 2,96 vezes no fim de setembro do ano passado.

Com o impeachment de Dilma, Michel Temer indicou Pedro Parente para a presidência da Petrobras, no lugar de Bendine – que no ano seguinte, em 2017, foi preso na Operação Lava-Jato. Parente optou pela permanência de Ivan Monteiro no cargo, dada a receptividade do mercado financeiro ao nome do diretor.

Monteiro pode, assim, dar continuidade à gestão da dívida da estatal e ajudar a implementar uma política de preços de combustíveis baseada na paridade internacional e reajustes diários, como forma de reforçar o caixa da empresa. O estouro dos preços, provocado pelo aumento da cotação do petróleo e pela desvalorização do real, culminou na greve dos caminhoneiros, em maio de 2018.

Em meio ao desgaste gerado pela greve, Parente deixou a companhia e Monteiro foi convidado para assumir a presidência. Durante cerca de seis meses à frente da estatal, buscou o diálogo. Para suavizar os reajustes diários nas refinarias, por exemplo, implementou uma política de hedge nos preços da gasolina. Monteiro chegou a ser cogitado para permanecer na presidência da petroleira, mas acabou sendo substituído pelo economista Roberto Castello Branco.

Por André Ramalho e Rodrigo Polito | Do Rio

Fonte :  Valor

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