Exceção à queda no PIB, agropecuária deve seguir crescendo no país em 2021

Resultado positivo em 2020 do setor no Brasil deve-se principalmente à combinação de safra maior e preços valorizados

03/03/2021 – 15h35minAtualizada em 03/03/2021 – 15h47min
GISELE LOEBLEIN

Tadeu Vilani / Agencia RBS
Aumento na produção de soja, assim como na de café e de milho ajudou a atividade a ter um crescimento mesmo na pandemiaTadeu Vilani / Agencia RBS

Os números do PIB brasileiro confirmaram que agropecuária fechou o difícil ano de 2020 como a exceção à regra. Puxada principalmente pela produção farta e preços favoráveis, a atividade conseguiu crescer 2%, mesmo com todas as adversidades trazidas pela pandemia. Ainda assim, sozinha, não conseguiu impedir o tombo histórico de 4,1% na economia nacional.  Para 2021, a estimativa é de que o ritmo do setor se mantenha em alta, ajudando a puxar também os resultados de indústrias relacionadas à produção.

— Deveremos ter crescimento sobre crescimento. O cenário é de safra maior ainda e os preços são substancialmente maiores — observa Antônio da Luz, economista-chefe do Sistema Farsul.

A perspectiva, claro, existe dentro de um cenário de normalidade  — que depende do avanço da vacinação e da melhora do quadro da pandemia no país para acontecer. E deve trazer um efeito ainda mais positivo para o Rio Grande do Sul, onde o peso da agropecuária é maior do que no país (9%)  e que teve em 2020 um ano de redução significativa de safra.

Renato Conchon, coordenador do Núcleo Econômico da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), observa que o crescimento do PIB da agropecuária em 2020 veio na esteira do aumento na produção de soja (+7%), do café (+24%) e do milho (quase 3%) e ampliou a relevância do setor na economia nacional, de 6,7% para 7,1%. Em relação ao agronegócio a previsão é de que a participação do setor no PIB total do Brasil suba de 21,4% em 2019 para 24,5% em 2020.

— Importante destacar que algumas indústrias, ligadas à agropecuária, tiveram crescimentos significativos ao longo de 2020, o que fez com que PIB brasileiro não caísse ainda mais em 2020 — completa Conchon, citando as empresas de celulose e de alimentos.

Luz acrescenta as fabricantes de máquinas que, apesar da não realização de feiras agropecuárias, em razão da covid-19, conseguiram fechar o ano com crescimento:

— Mesmo sem as feiras há dificuldade para tomar crédito e, se comprar uma máquina hoje, vai receber em alguns meses. Isso demonstra a superatividade desses setores, por causa do agro.

Fonte: Zero Hora

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