Ex-ministra defende agrotóxicos na internet e seguidores criticam

Em meio ao debate no Congresso Nacional de propostas que tentam mudar as leis sobre o registro e o uso de agrotóxicos no Brasil, tanto para modernizar quanto para endurecer ainda mais as regras atuais, a senadora Kátia Abreu (PDT/TO) se manifestou pelas redes sociais a favor dos defensivos agrícolas. A declaração, no entanto, foi dada fora de contexto. Ela não participava de discussões sobre o tema. Mesmo assim, gerou a revolta de alguns seguidores. “Para os desavisados, eu comunico que não compro nada orgânico. Não é porque não gosto, mas porque acho caro. E não tenho nenhum preconceito contra defensivos agrícolas. Se não fosse seguro, a Europa não compraria”, postou a ex-ministra da Agricultura e ex-presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) na conta dela no Twitter na tarde desta terça-feira, dia 4.

A opinião foi alvo de críticas dos seguidores dela na rede social, com comentários como: “A quantidade liberada aqui a Europa jamais autorizaria. Conversa pra boi dormir, Kátia Abreu”, “A Europa proíbe níveis de veneno como os usados no Brasil”, “Então bebe defensivo agrícola, bota duas pedrinhas de gelo de água de coco para descer melhor”, “Seria contraditório uma ruralista consumir orgânicos, não? Caro não é, pois a nossa saúde não tem preço. Mas é coerente que consuma aquilo que defende” e “Bebe seu veneninho aí”.

Pouco antes, Kátia Abreu já tinha protestado contra as críticas que recebe sobre o assunto. “Nunca se comeu tanto nesse mundo e nunca se viveu tanto. Expectativa de vida só aumentando. O povo cada vez mais jovem. Já pensaram nisto? A neura tá demais. Conversa enjoada. Cansativa. Repetitiva”.

Toda a história começou na noite dessa segunda-feira, dia 3. A senadora postou uma frase aleatória no Twitter: “o estômago queima quando as raivas não conseguem sair”. Foi o bastante para mais de 80 comentários dos seguidores, a maioria fazendo relação entre o suposto problema de saúde de Kátia Abreu (as dores no estômago) e o consumo de “veneno”. Foram comentários do tipo: “Deve ser o agrotóxico”, “É o veneno, deve ter engolido um pouco”, “O estômago só queima quando tem agrotóxico” e “deve ser o agrotóxico ou a motosserra perfurando”. Um seguidor chegou a postar uma foto de um cartaz em uma antiga manifestação de indigenistas com a frase “Se agrotóxico não faz mal, então bebe”.

Logo em seguida, a ex-ministra usou de bom humor para comentar o caso. “Eu não tenho gastrite. Só mandei uma frase que me mandaram e achei procedente. Tem gente chata nesse mundo. Deus me livre. Kkkk podre”.

Mas também teve quem entendeu a ex-ministra e tentou ajudar. “Cuidado com a gastrite. Não vale a pena adoecer por gente que não merece” e “Eu sinceramente não entendo uma coisa. Por que estas pessoas ficam te seguindo e twittando asneiras e venenos? Por que não vão seguir quem eles gostam? É muita falta de ter o que fazer”.

Na tarde desta terça-feira, a Comissão Especial que analisa o projeto de lei que cria a Política Nacional de Redução de Agrotóxicos tentou, mais uma vez, votar a proposta. A reunião começou perto das 16h e foi suspensa uma hora e meia depois devido ao início das votações no Plenário da Câmara dos Deputados. Caso o encontro não seja retomado ainda hoje, os parlamentares voltarão a se reunir nesta quarta-feira, dia 5, às 11h.

Publicado por: Rafael Walendorff

Fonte : Canal Rural