Ex-ADM vira CEO regional da Noble Agri

Botelho, que está na ADM desde 2000
A americana ADM, uma das maiores empresas de agronegócios do mundo, está sob nova direção no Brasil, onde é a sexta maior empresa exportadora. Valmor Schaffer, que era o CEO da empresa no país e na América do Sul (exceto Argentina) desde 2011, deixou o cargo em outubro para assumir a presidência regional da rival asiática Noble Agri, uma joint venture entre a estatal chinesa Cofco, que tem 51%, e o Noble Group, com sede em Cingapura, que controla os 49% restantes.

Com a saída de Schaffer – surpreendente, de acordo com fontes do segmento ouvidas pelo Valor -, a ADM desmembrou o comando sul-americano em dois postos: o de presidente regional, assumido interinamente pelo executivo Luiz Lopes, e o de presidente da divisão de oleaginosas, que ficou em caráter definitivo com Luciano Botelho.

Essa reorganização segue um modelo já adotado por outras subsidiárias da múlti, uma vez que a presidência regional costuma ter um perfil mais estratégico e corporativo. No caso do Brasil e da América do Sul, a "divisão" do comando será com oleaginosas porque este é o principal negócio da ADM na região. No mercado brasileiro, por exemplo, os negócios com soja e seus derivados (farelo, óleo e proteínas) representam 80% do total.

Lopes, que está na ADM desde 1998
A saída de Schaffer da ADM foi tratada com discrição. Questionada, a companhia não quis comentar o assunto. O executivo gaúcho, de 54 anos, foi a mais recente "aquisição" da Noble Agri, para onde já haviam se transferido neste ano outros dois nomes relacionados ao Brasil – Matt Jansen, que era vice-presidente sênior e presidente da divisão de oleaginosas da própria ADM, com passagem anterior pelo Brasil, e Marcelo Andrade, ex-diretor de açúcar e etanol da Cargill no Brasil. Jansen se tornou CEO global da Noble Agri e Andrade, seu presidente mundial de açúcar.

A Noble Agri opera principalmente como trading agrícola, e os produtos que negocia têm origem na América do Sul, Austrália, Índia, Leste Europeu e África do Sul. Em 2013, movimentou 46 milhões de toneladas de produtos e gerou vendas globais que superam a marca de US$ 15 bilhões. No Brasil, a companhia conta com quatro usinas sucroalcooleiras em São Paulo.

Schaffer: presidente da ADM no Brasil desde 2011, agora à frente da Noble Agri
A chegada de novos executivos brasileiros, portanto, sugere a intenção de uma estratégia mais agressiva de atuação da Noble Agri no país. A participação majoritária da estatal chinesa Cofco na companhia foi garantida pela parceria estabelecida com investidores como Hopu Investment, Temasek, Stander Chartered Private Equity e IFC, o braço do Banco Mundial para aportes em empresas privadas. A Cofco também tem participação majoritária da trading Nidera, a maior da Holanda.

Se o Brasil tende a ganhar importância para a Noble Agri, para a ADM o país já é fundamental, como é para Bunge, Cargill e Louis Dreyfus Commodities – juntas, as quatro formam o poderoso grupo das "ABCD". É aqui que a multinacional americana origina grande parte das matérias-primas que negocia globalmente, e é aqui onde o potencial para vendas de produtos de maior valor agregado, como proteínas especiais de soja e óleos, têm um potencial de crescimento nada desprezível.

De janeiro a outubro deste ano, os embarques da ADM a partir do Brasil, onde tem investido pesado em logística, renderam US$ 3 bilhões, 2,6% menos que em igual período de 2014. E as vendas no mercado interno são crescentes, como recentemente indicaram alguns de seus executivos ao Valor – o número exato não é revelado. Como efeito de comparação, nos primeiros nove meses do atual exercício as vendas globais da companhia atingiram US$ 51,3 bilhões, 14,9% abaixo de igual intervalo do ano anterior.

Na empresa desde 2000, Luciano Botelho, que assumiu a presidência da área de oleaginosas da ADM no Brasil e na América do Sul, já desempenhou funções comerciais em várias áreas dessa unidade de negócios. Anteriormente, respondia pela diretoria de originação da filial brasileira. Já Luiz Lopes, que assumiu interinamente a presidência regional, está na múlti desde 1998 e é CFO das divisões globais de oleaginosas e ingredientes especiais do grupo. (Colaborou Fabiana Batista)

Por Bettina Barros e Fernando Lopes | De São Paulo

Fonte Valor

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