EUA e derivativos levam JBS ao prejuízo no 4º tri

O desempenho mais fraco nos Estados Unidos, as despesas com derivativos utilizados para proteção cambial e outras despesas não recorrentes levaram a JBS a encerrar o quarto trimestre de 2015 com prejuízo líquido de R$ 275,1 milhões. Em igual intervalo de 2014, a companhia havia registrado um lucro de R$ 618,8 milhões.

A despeito do prejuízo registrado nos últimos três meses do ano passado, a JBS teve o melhor resultado da história no acumulado de 2015. No período, a companhia lucrou R$ 4,640 bilhões, incremento de 127,9% na comparação com os R$ 2,035 bilhões do ano anterior.

Impulsionada pelo impacto positivo do dólar mais valorizado sobre as operações no exterior e suas exportações, a receita líquida da JBS totalizou R$ 47,161 bilhões no quarto trimestre do ano passado, montante 37,5% superior aos R$ 43,028 bilhões de igual período de 2014. Em todo o ano de 2015, a JBS teve uma receita líquida de R$ 162,9 bilhões, avanço de 35,2% sobre o exercício anterior. Em receita, a JBS é maior companhia privada não financeira do Brasil.

O resultado da JBS no quarto trimestre foi pressionado pelo desempenho das operações nos EUA. Enquanto o segmento de carne de frango (Pilgrim’s Pride) foi afetado pelos diversos embargos que os americanos sofreram em razão do surto de gripe aviária, a operação de bovinos sofreu impacto dos preços altos dos animais para abate. No Brasil, a empresa apresentou melhores resultados na divisão de bovinos e margens positivas na área de alimentos processados (JBS Foods), mas isso não foi suficiente para compensar o desempenho mais fraco nos EUA, onde a empresa obtém cerca de 50% de suas vendas.

Diante disso, o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) da JBS somou R$ 3,131 bilhões no quarto trimestre, queda de 4,8% na ante os R$ 3,289 bilhões do mesmo intervalo de 2014. Com isso, a margem Ebitda da JBS caiu três pontos percentuais em igual base de comparação, saindo de 9,6% para 6,6%.

No lado financeiro, as despesas com os derivativos usados para proteção contra a variação cambial também totalizaram R$ 1,335 bilhão no último trimestre de 2015. A JBS informou que teve, no período, despesas não recorrentes de R$ 460,6 milhões "referentes ao projeto de realinhamento global das plataformas regionais e liquidação de créditos tributários no Brasil".

No fim de 2015, a dívida líquida da JBS somava R$ 47,038 bilhões, 12% acima dos R$ 41,707 bilhões reportados no fim de setembro. Com isso, o índice de alavancagem (relação entre dívida líquida e Ebitda em doze meses) da empresa atingiu 3,18 vezes em 31 de dezembro, ante as 2,55 vezes reportadas no fim de setembro. De acordo com a JBS, a alavancagem "pro forma", que considera os resultados das empresas que foram adquiridas pela companhia ao longo do ano passado, seria de 2,91 vezes.

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Por Luiz Henrique Mendes | De São Paulo

Fonte : Valor

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