EUA dão sinal verde à carne suína de SC

O governo americano publicou norma sanitária ontem que abre o seu mercado à importação de carnes suína e bovina de Santa Catarina. Como os Estados Unidos também são um grande produtor nesse setor, não são esperados impactos relevantes nas exportações brasileiras, mas a chancela americana deverá ajudar a derrubar buy medicine online without prescription barreiras sanitárias em outras partes do mundo, como México, Japão e Coreia do Sul.

Na regra publicada ontem, o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) reconhece Santa Catarina como uma região livre de doenças como a febre aftosa e a peste suína africana. As importações estão liberadas a partir de dezembro, mas antes disso, informou o Departamento de Agricultura, serão adotadas algumas restrições para assegurar que Santa Catarina não envie para os EUA carnes originadas de outros países e regiões que não foram declaradas livres de doenças.

Ainda não há detalhes sobre essas regras, mas representantes dos exportadores de carnes suínas não esperam que elas representem barreiras significativas. “Eles devem criar regras para evitar a triangulação das exportações, como a exigência de permanência dos animais por um prazo mínimo em Santa Catarina”, afirma Pedro de Camargo Neto, da Abipecs.

Para que as exportações ocorram na prática, o próximo passo será os acomplia approval frigoríficos obterem a habilitação junto ao USDA. Até há alguns meses, isso podia ser feito pelo Ministério da Agricultura brasileiro, cujo trabalho era reconhecido pela sua contraparte nos EUA. Mas a equivalência mútua foi suspensa depois do episódio envolvendo a importação de carne enlatada com níveis de vermífugo ivermectina acima dos tolerados. Agora, a habilitação deve ser feita diretamente pelo USDA.

As estimativas da Abipecs entregues ao Departamento de Agricultura americano são de que, em 2011, o volume de carne suína exportada aos EUA possa chegar a 10 mil toneladas, o que em dinheiro representa algo como US$ 25 milhões, segundo Camargo Neto. Em quatro anos, as exportações podem chegar a 40 mil toneladas, ou um volume de US$ 100 milhões. Não são esperados impactos relevantes na exportação de carne bovina porque Santa Catarina não tem grandes rebanhos voltados ao mercado externo.

No caso da carne suína, não é um volume muito expressivo, comparando com os embarques totais brasileiros. O país exportou US$ 1,340 bilhão em carne suína nos 12 meses encerrados em agosto, segundo a Abipecs. Os EUA são um grande exportador e seus preços são muito competitivos.

Camargo Neto pondera, porém, que o Brasil poderá explorar alguns nichos de cortes especiais. Os EUA, por exemplo, importam costelas de suíno da União Europeia. Há também a expectativa de que a aprovação do Departamento de Agricultura dos EUA vá ajudar na abertura de outros mercados.

É o caso, por exemplo, do México, o quarto maior consumidor mundial de carne suína, com um mercado de 400 mil toneladas. Além da aprovação sanitária dos mexicanos, o Brasil está negociando a redução de uma tarifa de 20% sobre a importação do produto. Outros mercados estratégicos para o Brasil são o Japão, que importa cerca de 1,2 milhão de toneladas, e a Coreia do Sul, com importações de 500 mil toneladas.

Durante sua visita recente a Seul, onde participou de uma reunião do G-20, o presidente Lula tratou do tema num encontro com o presidente sul-coreano, Lee Myung-bak. O país asiático acenou com a possibilidade de acelerar a liberação sanitária da carne suína.

O Brasil reivindicava a derrubada de barreiras sanitárias à carne suína há pelo menos dez anos, e a liberação foi acelerada dentro do acordo fechado com os Estados Unidos para evitar a aplicação de retaliações aprovadas pela Organização Mundial do Comércio (OMC) contra os subsídios americanos ao algodão.

Decisão leva otimismo a produtores

O sinal verde para as vendas de carne suína catarinense aos Estados Unidos foi recebido com otimismo pelos produtores em Santa Catarina. Agora, eles aguardam a inspeção dos frigoríficos e das propriedades de criação de animais pelas autoridades americanas.

“A notícia é muito boa porque reconhece a qualidade do mercado catarinense em um país com padrão de exigência sanitária elevado”, avalia o diretor-executivo do Sindicato da Indústria da Carne e Derivados de Santa Catarina (Sindicarne-SC), Ricardo Gouvêa. Ele prevê que a comercialização só deve começar em meados de 2011.

Mario Lanznaster, presidente da Coopercentral Aurora, diz que a liberação é o reconhecimento de um trabalho de vários anos. “A aprovação é positiva, mas temos de conter o nosso otimismo com o processo que vem pela frente”.

Ele espera que a comitiva dos EUA vistorie a planta FACH 1 da Aurora, em Chapecó. A unidade foi vistoriada no processo de certificação das vendas de carne suína à União Europeia, há cerca de um ano. Lanznaster diz que é difícil esperar compra em grandes quantidades do mercado americano. “Os Estados Unidos são um grande mercado exportador. O que pode acontecer é eles virem comprar aqui para distribuir para outros países da América Latina”, avalia.

A principal expectativa é que a liberação nos EUA abra caminho para mercados como Japão , Coreia e México. “Eles se espelham muito nos EUA e são grandes compradores de carne suína”, afirma. A cooperativa exporta hoje cerca de 15% do volume de vendas. Entre os principais mercados estão Rússia, Hong Kong, Ucrânia e Argentina.

Apesar da recuperação da demanda internacional, o câmbio preocupa o setor. “Daqui a pouco, estamos importando carne suína dos Estados Unidos e ela chegará aqui mais barata do que a nossa por conta do dólar desvalorizado”, reclama Lanznaster.

O presidente da Associação Catarinense de Criadores de Suínos (ACCS), Losivânio Luiz de Lorenzi, vê com mais otimismo a abertura do mercado dos EUA. “É uma notícia que pode gerar algum impacto já no começo do ano que vem, um período do ano que sempre é de demanda menor para o criador”, diz.

Segundo Lorenzi, o plantel de 2011 já está no campo e deve ficar estagnado em relação a 2010. As perdas do setor nos últimos anos afastaram criadores do negócio. Apesar de a estatística oficial de 2006 dar conta de 12 mil produtores no Estado, Lorenzi acredita que apenas oito mil tenham propriedades ativas hoje.

Os custos do milho dificultaram os resultados. De acordo com o presidente da ACCS, em janeiro e fevereiro houve prejuízo de R$ 0,26 por quilo do suíno. Nos onze meses do ano, o valor acumulado pago pelo quilo do suíno subiu cerca de 30%. O preço médio hoje é de R$ 2,55 ao produtor integrado à agroindústria mais 10% pela carcaça. O preço pago aos independentes é de cerca de R$ 3,10 o quilo.

Fonte: Valor Econômico

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