Etanol de milho no Brasil.

A produção de etanol de milho é uma realidade nos EUA assim como o de cana é para nós. Na última safra americana 120 milhões de toneladas de milho viraram etanol, isto significa um terço do total do milho produzido nos EUA.

Milho este cereal mais produzido no mundo com quase 900 milhões de toneladas, tem tido a responsabilidade de ser a principal fonte de energia para a humanidade seguida pelo trigo e o arroz.

O Brasil há pouco tempo deixou de ser um importador de milho, hoje dos 55 milhões de toneladas que produzimos consumimos quase 50 milhões, sendo assim não se imaginaria falar em produzir etanol à base de milho no Brasil. Mas pelo que tudo indica em breve esta realidade vai mudar, uma vez que usinas de álcool de cana podem vir a usar o milho como uma segunda matéria prima.

A Aprosoja estudou a viabilidade da produção de etanol a base de milho, porém chegou à conclusão que não seria viável por diversos fatores entre eles o alto custo da usina. Mas quando já se tem a usina à produção pode ser viável? Segundo alguns analistas sim. Grande parte dos equipamentos da usina de álcool de cana seria utilizada na entressafra para produzir etanol de milho.

Um dos insumos mais caros para a produção do etanol de milho é a energia, e este insumo nas usinas de cana tem sobra em virtude do bagaço que sobra e forneceria a energia necessária, seja no processo de destilação ou secagem do DDG que é o subproduto que sobra da produção do etanol do milho. O DDG é um insumo que pode ser utilizado na ração animal pelo alto valor energia e proteína, tornando-se então um subproduto de alto valor agregado neste processo.

A produção de etanol de milho não é empregada apenas nos EUA, aqui mesmo na América do Sul temos o Paraguai e a Argentina com diversas usinas produzindo etanol a base de milho e outros cereais. Nestes países as usinas são flex., ou seja, produzem etanol de diversos produtos sendo o principal a cana. Podemos então concluir que a viabilidade destas usinas esta atrelada a otimização todos os processos e a utilização da usina o ano todo, bem como sua produção de energia via bagaço.

É interessante ver a evolução que a indústria tem tido no aproveitamento de todos os seus subprodutos, que há pouco tempo eram tidos como lixo. Hoje o vinhoto, a fulingem da queima na caldeira entre outros são utilizados como fertilizantes, no futuro próximo veremos usinas de álcool de cana, não só produtores de energia, mas também produtores de proteína, com grandes confinamentos aproveitando os subprodutos da produção do etanol.

No mundo atual e no futuro onde não se admite nenhum desperdício é fundamental a otimização dos processos, as usinas flex. passam a ter um cenário positivo, ainda mais em MT que tem um grande potencial para produção de milho em segunda safra. Hoje só não produzimos mais porque não há consumo, qualquer produção a mais repercute em grande queda de preço, agravado pelo alto custo de transporte.

Claro que este tema da produção de etanol de milho, será amplamente discutido, ainda mais se a China começar a importar milho, já que produz 150 milhões de toneladas, mas já não são suficientes, visto que a produção vem perdendo áreas para as cidades e as indústrias e o consumo vem aumentando.

Para nós produtores o importante é termos consumo, já que na nossa indústria agrícola que são as propriedades também precisamos aperfeiçoar nossos custos, e o milho em segunda safra tem sido importante na redução de custos. Se podemos produzir mais na mesma área porque não o fazer se houver viabilidade.

Fonte : RuralBR | Glauber Silveira

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