Estudo quer viabilizar produção de trigo sequeiro no Cerrado

Fonte: Globo Rural

Experimentos buscam variedades tolerantes à seca e resistentes a doenças

por Globo Rural On-line

Editora Globo

A vantagem da produção do trigo sequeiro reside no custo, já que não há investimentos em irrigação

Uma das alternativas para o Brasil chegar à autossuficiência na produção de trigo é o plantio no Cerrado. É o que defendem algumas pesquisas em andamento na Embrapa Cerrados, que buscam a solução para os principais limitantes desse cultivo. Segundo o pesquisador Walter Quadros, a busca é por variedades tolerantes à seca, já que, normalmente, a produção de trigo sequeiro fica comprometida pelos períodos de estiagem na época do plantio.

Para isso, os experimentos estão sendo plantados durante o período em que não há chuvas na região. Neles, airrigação não é uniforme, atinge mais algumas plantas do que outras. Assim é possível avaliar o desempenho das plantas diante da escassez de recursos hídricos. “Selecionamos plantas com raízes mais profundas e alguns mecanismos fisiológicos para não perder muita água pela transpiração”, explica o especialista.
Outra dificuldade que o produtor de trigo em sequeiro enfrenta é a brusone, principal doença que afeta a cultura no Cerrado, causada pelo fungo Magnaporthe grisea. “Durante todo o período de cultivo, a temperatura é alta e há umidade, o que favorece o surgimento do problema. Além disso, para o plantio de trigo safrinha se tornar vantajoso do ponto de vista econômico, é preciso diminuir a aplicação de fungicidas”, explica o pesquisador da Embrapa Cerrados, Alexei Dianese. Em resposta a essa dificuldade, os experimentos conduzidos dentro do projeto “Brusone do Trigo: estudo da interação planta-patógeno”, liderado pela pesquisadora Gisele Torres (Embrapa Trigo), visam ao teste e à seleção de cultivares resistentes à doença.
Com uma média de 1,5 a duas toneladas por hectare, a produtividade do trigo cultivado em sequeiro é bem menor do que a do irrigado, com média de 4,5 toneladas por hectare. A vantagem reside no custo, que também é menor já que não há investimento em irrigação. A área potencial para esse cultivo também é muito alta, pode chegar a quatro milhões de hectares na região do Cerrado.

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