Estudo decorrente do Plano de Bacia do Rio Ibicuí indica que lavoura ajuda na qualidade da água dos rios

Bacia Hidrográfica foi monitorada e mostrou os melhores indicadores de qualidade da água do RS

O conceito que a cadeia produtiva do arroz defende a muito tempo, de que as lavouras funcionam como um filtro que garante a qualidade da água e reservatório artificial que reduz o impacto das secas sobre rios e cursos d’água do Rio Grande do Sul, no verão, foi oficialmente comprovado por consultoria especializada contratada pelo Governo do Estado. O estudo foi publicado pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema), e tem sido divulgado pelo Comitê de Bacia preparando a comunidade para os próximos passos. Na semana de 14 a 18 durante o Encontro Nacional de Comitês de Bacia realizado em Porto Alegre, o presidente do Comitê Ibicuí, Ivo Mello, que também é vice-presidente de Meio Ambiente e Recursos Hídricos da Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz), apresentou alguns destes argumentos nos debates em que participou causando surpresa em muitos dos assistentes acostumados a escutar histórias de rios degradados e poluídos com pouca esperança de investimentos para a melhoria da qualidade das águas.
A consultoria Profill Engenharia desenvolveu as pesquisas que deram a base técnica para a construção do Plano de Bacia do Comitê do Ibicuí e não só ratificou conceitos já apontados nas pesquisas do Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga), como acrescentou informações científicas importantes e favoráveis à lavoura. A elaboração do Plano de Bacia entre 2011 e 2012, deu origem a um Diagnóstico e um Prognóstico. Na fase de Diagnóstico foram feitas duas campanhas de coleta de amostras de água de alguns dos rios da bacia, que indicaram águas de alta qualidade, classificadas conforme resolução do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) como Classe 1. Esta é a melhor classe para águas de rios e lagos, só superada por nascentes. “Tivemos problemas de qualidade em alguns trechos de rios, mas segundo a consultoria, todos devido à falta de tratamento de esgoto em zonas urbanas da bacia”, diz Mello.
Por exemplo, em Alegrete foram duas amostragens: em uma a montante da cidade, o Rio Ibirapuitã apresentou classe 1 e a jusante (após passar pela cidade e receber seus dejetos) apresentou Classe 3. Apesar disso, os cálculos indicaram que 10 quilômetros abaixo da cidade, a contribuição de arroios e a diluição dos dejetos não tratados aumenta a ponto de retornar o rio para a Classe 1. Os cálculos comprovam que isso acontece inclusive em períodos de estiagem, no verão, devido à disponibilidade de água proveniente das lavouras de arroz. Isso porque mais da metade do recurso hídrico necessário à irrigação na bacia é acumulada na entressafra e liberada à medida das demandas dos cultivos. “Neste particular o diagnóstico comprovou que, apesar de utilizarmos uma quantidade expressiva da disponibilidade hídrica de nossa bacia para irrigação, não existem problemas de escassez devido à intervenção dos agricultores armazenando água durante o inverno/primavera”, assegura Ivo Mello.
O Prognóstico diz respeito a pensar no futuro do rio que a comunidade da bacia deseja. Numa situação normal os rios estão poluídos e com baixa disponibilidade hídrica, mas a situação do Ibicuí foi considerada única, porque já existe água de muito boa qualidade. Normalmente, os comitês de bacia se deparam com situações onde a classificação do curso de água aponta para classes 4 ou 3, e utilizam esta fase do plano para projetar uma meta a alcançar melhorando a classe do rio para 2 ou 1 (desejáveis nos diversos contextos antrópicos).
No Ibicuí, apenas foram identificados alguns trechos que deixaram a desejar, próximos às aglomerações urbanas como Alegrete, Uruguaiana e Júlio de Castilhos. Mas as prefeituras e as companhias de saneamento básico concessionárias dos serviços de abastecimento público e esgotamento sanitário, já se comprometeram com um cronograma de investimento que atenda ao Prognóstico ou enquadramento dos corpos de água definido pelo Comitê no Plano de Bacia, financiado pelo FundoEstadual de Recursos Hídricos.

Fonte: Planeta Arroz | 28.10.2013 | MEIO AMBIENTE – por Federarroz

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