Estudo apontará potencial de gás natural no Estado

O mapeamento da demanda das indústrias gaúchas por gás natural no Rio Grande do Sul é o objetivo de uma pesquisa que está sendo desenvolvida pela Fiergs. A perspectiva é que o trabalho seja finalizado até o início de setembro e ajude a mensurar a necessidade de aumento do fornecimento desse insumo no Estado e da infraestrutura de gasodutos.

O diretor e coordenador do Grupo Temático de Energia do Conselho de Infraestrutura da Fiergs, Edilson Deitos, detalha que a ideia da iniciativa surgiu dentro de um grupo de trabalho que analisa o setor de gás no Estado.

O grupo é formado por integrantes da Secretaria Estadual do Meio Ambiente e Infraestrutura (Sema), entidades empresariais, companhias do setor, entre outros agentes.

Deitos reforça que é essencial elevar a oferta de gás natural para os gaúchos e como uma das possibilidades para essa ampliação ele cita a alternativa de repotencializar o gasoduto Bolívia- Brasil (Gasbol), administrado pela empresa TBG, que é hoje a estrutura existente que alimenta o Rio Grande do Sul. "Teríamos demanda de imediato para isso", frisa. Outras opções são a duplicação do Gasbol, a construção de um novo gasoduto, a implantação de um terminal de regaseificação de gás natural liquefeito (GNL) ou o uso do gás proveniente do carvão mineral.

De acordo com dados da distribuidora Sulgás, em junho, em meio à pandemia de coronavírus que afetou a economia como um todo, o consumo de gás natural no Estado foi de aproximadamente 2 milhões de metros cúbicos ao dia (o que representa cerca de 80% da atual capacidade de fornecimento). A estatal ainda informa que, recentemente, nas últimas semanas de julho, o sistema de transporte chegou ao seu limite operacional. Deitos frisa que o acesso a mais gás melhoraria a competividade do setor industrial.

O dirigente recorda que existem duas "âncoras" importantes para sustentar o uso de gás no Rio Grande do Sul que são as usinas AES Uruguaiana e a Termelétrica Canoas. Ambas, nos últimos anos, não conseguem manter uma operação constante e são impactadas pela limitação de oferta do combustível no Estado.

O diretor da Fiergs salienta que a planta de Canoas (que é bicombustível, podendo gerar com gás natural ou óleo) foi colocada à venda pela Petrobras e o ativo seria muito mais valorizado se houvesse a garantia de fornecimento de gás natural.

Outro fator importante, acrescenta o empresário, é a necessidade de reduzir o preço do insumo no País. Conforme informações apresentadas pelo Ministério de Minas e Energia, na ocasião do lançamento do programa Novo Mercado de Gás, no ano passado, o custo do fornecimento do gás natural no Brasil era de US$ 10,4 por milhão de BTU, enquanto na Argentina o valor era de US$ 4,6 e nos Estados Unidos de US$ 3,13.

Fonte: Jornal do Comércio

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