Estrutura de produção freia crescimento, diz especialista

Apesar do aumento expressivo da produção nos últimos anos, a China precisa fazer mais se, de fato, quiser perseguir a autossuficiência agrícola. Para o diretor de pesquisa do Rabobank em Xangai, Daron Hoffman, o país depende de uma "transformação estrutural" para alcançar esse objetivo. "A atual estrutura de produção é uma restrição a um crescimento mais acelerado", afirma.

Segundo Hoffman, o principal problema é a falta de escala. Na China, o tamanho das propriedades em regiões de milho e trigo pode não ser maior do que meio hectare, o que inviabiliza o investimento em máquinas modernas e sementes mais produtivas. Conforme ele, o governo tem procurado ampliar o acesso coletivo a esses insumos, mas o resultado ainda é heterogêneo entre as diferentes culturas, regiões e produtores.

Além disso, há entraves burocráticos a essa expansão. Na China, não há propriedade privada, o que impossibilita o uso da fazenda como garantia de financiamento. O país adota um sistema de direito de uso, que pode ser arrendado a terceiros. No entanto, afirma Hoffman, estima-se que apenas um terço dos agricultores possua os documentos que comprovem seu direito de explorar a área. "Sem isso, é impossível arrendar as terras legalmente", diz ele.

O governo chinês tem sinalizado que pretende incentivar a criação de operações agrícolas maiores com o intuito de estimular o investimento no campo. Segundo Hoffman, isso tem sido feito principalmente nas chamadas "fazendas estatais" – distritos agrícolas comandados por gestores estatais, que arrendam áreas para produtores agrícolas (ver contexto). Segundo o executivo, as fazendas estatais são as principais responsáveis pelo crescimento da produtividade nos últimos anos.

Por isso, o executivo acredita que a autossuficiência é um desafio ainda distante para os chineses. "No curto a médio prazo, os chineses terão de importar mais, porque a sua capacidade de aumentar a produtividade daqui para frente será inferior ao crescimento da demanda. No longo prazo, considerando o progresso recente e o que ainda pode ser feito, é possível que eles fechem essa lacuna".

De acordo com o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), as importações chinesas de milho podem crescer a 20 milhões de toneladas até 2020, embora as aquisições de trigo e arroz devam se manter relativamente comportadas, assim como as de carnes. Já os desembarques de soja devem crescer a mais de 100 milhões de toneladas. (GFJ)

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Fonte: Valor | Por De São Paulo

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