Estiagem reduz a geração de energia no Sul

Com a estiagem, os reservatórios da Região Sul atingiram níveis historicamente baixos, causando uma disparada de preços no mercado de curto prazo de energia. Por precaução, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) adotou três medidas para poupar água dos reservatórios: nove usinas térmicas da região estão sendo acionadas, algumas hidrelétricas de Santa Catarina reduziram a geração e a transferência de energia do subsistema Sudeste/Centro-Oeste está perto do limite.

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Na segunda-feira, os reservatórios do Sul baixaram para 30,3% sua capacidade de armazenamento, a menor nos meses de abril em pelo menos 12 anos. A parada na geração de algumas hidrelétricas decorre de recomendação do próprio ONS, que busca evitar complicações no futuro. O cenário difícil não afeta as demais regiões do país.

Algumas das usinas que deixaram de gerar foram Machadinho, Foz do Chapecó e Campos Novos. Machadinho, que tem capacidade de 1.140 MW, interrompeu a geração em 5 de abril e continua parada, enquanto Foz do Chapecó ficou paralisada por quatro dias no início do mês e parou novamente no dia 14 por mais dois dias. A hidrelétrica de Campos Novos, com capacidade de geração de 880 MW, tem passado os fins de semana sem gerar e retoma parcialmente as operações durante a semana.

Para compensar a menor produção das hidrelétricas do Sul, a região tem recebido 5,4 mil MW médios de energia do subsistema Sudeste/Centro-Oeste, mais de 95% da capacidade total de transmissão. O ONS mandou ligar nove térmicas movidas a gás e a carvão no Paraná, em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul. Elas têm gerado 1.320 MW médios, três vezes mais do que no mesmo período de 2011. Analistas dizem que a estratégia pode encarecer as tarifas dos consumidores nos próximos reajustes das distribuidoras, por causa do encargo que cobre os custos com combustíveis das térmicas, cujo preço de geração é mais alto.

"Por medida de precaução, há um custo maior, mas é um custo para que não falte energia no futuro", afirma Nivalde de Castro, coordenador do Grupo de Estudos do Setor Elétrico da UFRJ. Nesta semana, o preço do megawatt-hora no mercado à vista passou para R$ 219 no subsistema Sul, o mais alto em 38 meses.

Fonte: Valor | Por Vanessa Jurgenfeld, Sérgio Bueno e Daniel Rittner | De Florianópolis, Porto Alegre e Brasília

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