Estiagem prejudica mais de 100 municípios

Praticamente todas as regiões do Estado sentem os efeitos da estiagem deste ano, considerada a mais grave desde 2010. Até o final da tarde desta quinta-feira, 16 municípios haviam decretado situação de emergência. Outros 12 estão prestes a entregar a documentação necessária ao governo do Estado, através da Defesa Civil.

De acordo com o diretor técnico da Emater-RS, Alencar Rugeri, as estimativas preliminares sobre as perdas desta safra ainda são muito difíceis de mensurar porque a estiagem ainda está em curso e, por isso, os dados mudam rapidamente. No entanto, está confirmado que os maiores danos estão concentrados nas regionais de Soledade, Ijuí e Passo Fundo, no caso da soja; no Vale do Rio Pardo, no caso do milho para silagem; e novamente em Soledade, com relação ao feijão (1ª safra).

"Já são mais de 100 municípios afetados diretamente. É um prejuízo enorme para a economia de todo o Rio Grande do Sul", avaliou o presidente da Federação das Associações de Municípios do Rio Grande do Sul (Famurs), Eduardo Freire. Ele observa que é urgente a homologação dos decretos de situação de emergência por parte do governo do Estado. "A situação é difícil, precisamos de socorro para nossos agricultores, principalmente os pequenos que precisam disso para ter força de negociação de dívidas junto às instituições financeiras", destacou o presidente da Famurs.

Em reunião na sede da entidade, ocorrida na tarde desta quinta-feira, representantes do agronegócio e do governo do Estado debateram outras possíveis soluções para o problema, que está afetando a cadeia da soja, milho, feijão, tabaco, e os segmentos de pecuária e fruticultura.

"É um problema que atinge também localidades que não estão sofrendo com a seca", observou o dirigente. Nas regiões Norte e Noroeste, onde existe maior volume de plantio, principalmente de soja e milho, o problema não se agravou a até o momento.

"Mas se chegarem a ser afetadas em uma escala maior, o prejuízo financeiro será gigantesco", comenta Freire.

O secretário em exercício da Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural (Seapdr), Luiz Fernando Rodriguez, apresentou medidas de emergência que a pasta deverá encaminhar nos próximos dias para mitigar os efeitos da estiagem. "Desde o dia 3 de janeiro a secretaria instituiu o comitê de acompanhamento da estiagem para pensar em soluções.

Uma delas é unificar as análises agroclimáticas da Secretaria, do Irga e da Emater-RS, elaborando boletins semanais que abordem o impacto das condições climáticas nas culturas do período, de forma que os municípios possam se planejar com informação qualificada", detalhou Rodriguez.

A Seapdr deverá encaminhar ofício ao Ministério da Agricultura (Mapa) solicitando a prorrogação do zoneamento das culturas afetadas pela seca. "Estamos atendendo a um pleito de diversas entidades como Fetag, Farsul, além das prefeituras", destacou o secretário em exercício.

A pasta ainda buscará a redução do custo do seguro rural e o aumento da cota disponível para o Estado junto ao governo federal.

A prefeita de Cristal, Fábia Richter, afirma que no seu município (localizado na região Centro Sul) já está faltando água para consumo humano. "Temos tentando atender com açudes e cacimbas para a população de 8 mil habitantes. São pessoas que vivem da produção rural, e do trabalho na agricultura." Segundo ela, as perdas já chegam a R$ 19 milhões. "Somente a produção de melancia perdeu 80% da safra, e a produção de tabaco, que é uma das principais culturas, perdeu 40%", comenta Fábia. "Antes deste calor tórrido, sem chuvas, no início de novembro, tivemos uma grande chuva que lavou tudo e causou um problema que afetou as mudas de tabaco", finaliza.

Fonte: Jornal do Comércio