Estado tenta compensar o atraso na soja certificada

Produção é opção para melhorar qualidade e garantir vendas à Europa

Comuns no Cerrado brasileiro desde o ano passado, as certificações de soja começam a ser debatidas com atraso pelos produtores gaúchos. A perspectiva de demanda internacional de pelo menos 7 milhões de toneladas do grão certificado em 2015 estimula o cultivo com selos como o da Associação Internacional de Soja Responsável (RTRS).
Produtores do Cerrado estão entre os primeiros brasileiros certificados com o selo internacional. Em 2011, o primeiro ano dessa certificação no mundo, sete fazendas brasileiras exportaram pouco mais de 250 mil toneladas com a garantia RTRS. Os gaúchos, porém, ainda não trilharam esse caminho.
– O que hoje é visto como um diferencial será uma necessidade no futuro – adverte o presidente da Cooplantio, Daltro Benvenuti.
O assunto foi tema da cooperativa em seu 27º seminário, que segue até hoje em Gramado. Representante da RTRS no Brasil, Daniel Meyer, destacou que países como Holanda, Bélgica e Suíça têm metas de comprar somente grão certificado até 2015:
– Trata-se de uma iniciativa global que cria processos de produção em cadeia para garantir que a soja seja produzida com responsabilidade.
Com os trabalhos iniciados recentemente, ainda há muitas dúvidas.
– Não está claro quanto se pode ganhar a mais e como será feito o transporte, com garantia de que a soja certificada não será misturada às demais – diz o produtor Antônio Carlos Nemitz, de Alegrete.
Nemitz, que cultiva até 3 mil hectares, tem interesse na certificação.
– O produtor deve entender que pode não haver ganho real nessa soja certificada, mas será algo necessário. Temos de buscar formas de baratear a certificação – avalia Benvenuti.
Segundo Meyer, como a certificação envolve a cadeia desde o produtor até a indústria, há garantias de compra do produto e distribuição. Em países como Holanda, em alguns casos o custo de US$ 0,30 por tonelada e os gastos com o processo têm sido arcados pelas próprias empresas. Em troca, o produtor acumula créditos e garante prêmios pela certificação.
vanessa.franzosi@gruporbs.com.br

VANESSA FRANZOSI | SUCURSAL SERRA

Fonte: Zero Hora

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