Estado receberá R$ 1,5 bilhões em parques eólicos

Resultado de leilão de energia promove implantação de 19 projetos até 2016, com a potência instalada de 326,6 MW

Jefferson Klein

O Rio Grande do Sul foi bem-sucedido no leilão de energia promovido ontem pelo governo federal. Comercializaram suas futuras gerações de eletricidade 19 projetos de parques eólicos que serão implementados no Estado até 2016 e que somam a potência instalada de 326,6 MW (cerca de 8,5% da demanda gaúcha). A construção desses empreendimentos absorverá um investimento de pouco mais de R$ 1,5 bilhão. No total do País, 39 empreendimentos eólicos, com capacidade instalada de 867,6 MW, foram contratados no certame.
As usinas gaúchas serão concretizadas em Santana do Livramento, Santa Vitória do Palmar, Chuí, Rio Grande e Viamão. Cada parque possui uma razão jurídica específica, mas estão por trás desses complexos grandes empresas como Eletrosul, Grupo CEEE e Oleoplan. Entre essas companhias, o Grupo CEEE vive uma situação especial: esse foi o primeiro certame de que a estatal saiu vencedora disputando sozinha e não através de parcerias. “Estamos recompondo a expansão da geração da empresa”, comemora o presidente do Grupo CEEE, Gerson Carrion.
A companhia teve êxito com a Central Geradora Eólica Povo Novo, composta pelas usinas Povo Novo, Fazenda Vera Cruz e Curupira, localizadas no município de Rio Grande. Com um aporte da ordem de R$ 265 milhões, o parque todo terá potência instalada de 55 MW e criará entre 600 e 700 empregos diretos durante as obras. O preço do MWh vendido pelos projetos ficou em R$ 125,90, enquanto o teto era de R$ 126,00.
Carrion explica que o Grupo CEEE possui uma parceria estratégica com a Eletrosul para disputar empreendimentos como esses. Porém, como a estatal federal estava envolvida com diversos outros projetos no leilão, nessa ocasião, a empresa gaúcha decidiu competir individualmente. Realmente, a Eletrosul disputou o certame com uma grande quantidade de complexos. A companhia irá injetar em torno de R$ 1 bilhão em 15 novos projetos eólicos gaúchos que venceram o leilão. A energia deles foi comercializada a um preço médio de R$ 124,95, ligeiramente superior ao valor médio do certame, que foi de R$ 124,43. Os parques somam 212,5 MW de potência instalada, o que corresponde a 24,5% do total vendido no Brasil. Em Santa Vitória do Palmar, serão instalados 154,7 MW; em Santana do Livramento, 40,8 MW; e no Chuí, 17 MW. A produção dessas usinas poderá atender ao consumo de cerca de 1,1 milhão de habitantes.
“Com mais esses empreendimentos, iremos assegurar que o Rio Grande do Sul se consolide no cenário nacional como importante estado para o desenvolvimento em infraestrutura energética no segmento eólico”, salienta o presidente da Eletrosul, Eurides Mescolotto. Além dos complexos que ganharam o leilão de ontem, os empreendimentos eólicos da Eletrosul e parceiros já em operação ou em implantação no Rio Grande do Sul somam 570 MW de potência instalada, totalizando investimentos de mais de R$ 2,2 bilhões. O Complexo Eólico Cerro Chato (90 MW) foi a primeira iniciativa da Eletrosul nesse setor, que está em operação plena desde dezembro de 2011. A estrutura está sendo ampliada em 78 MW. Em Santa Vitória do Palmar, está em fase de implantação o Complexo Eólico Geribatu, com 258 MW – um dos maiores da América Latina. Nesse empreendimento, as frentes de obras atuam na montagem dos aerogeradores e construção das bases. Todo o complexo terá 129 aerogeradores. Ainda no extremo Sul do Brasil, a Eletrosul irá construir o Complexo Eólico Chuí, com 144 MW.
Conforme dados da Secretaria de Desenvolvimento e Promoção do Investimento, atualmente, há 15 parques eólicos em operação no Rio Grande do Sul, com uma capacidade instalada de 460 MW. Com as contratações no leilão desta segunda-feira, a carteira prevista até 2017 chega a 78 parques e capacidade instalada de 1.826,9 MW.

ABEEólica afirma que fonte já superou meta do ano

O desempenho da fonte eólica na disputa de ontem é comemorado pelos investidores do setor. A presidente executiva da Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEEólica), Elbia Melo, reconhece que está muito satisfeita com o resultado do leilão, tanto em volume de energia vendido como em preço. A dirigente detalha que, para manter a cadeia eólica brasileira saudável, é preciso comercializar em torno de 2 mil MW de geração dessa fonte ao ano. Com os 867,6 MW viabilizados ontem e os cerca de 1,5 mil MW confirmados no certame de agosto, esse objetivo foi ultrapassado.
Elbia lembra ainda que há a expectativa de vender mais energia eólica no leilão A-5 (cinco anos para concretizar os empreendimentos), que será disputado no dia 13 de dezembro. A dirigente considera esse modelo em que o preço é fator determinante para a expansão da oferta de energia no País como perfeito para a fonte eólica. Já se o governo federal quiser desenvolver outros potenciais de geração, provavelmente terá que criar um ambiente para isso.
A presidente da ABEEólica acrescenta que uma das características da fonte eólica é a concentração de empreendimentos, até devido à natureza dos ventos. No Estado, esses pontos podem ser nitidamente notados nos litorais Norte (Osório, Tramandaí) e Sul (Rio Grande, Santa Vitória do Palmar) e na Fronteira-Oeste (Santana do Livramento).
Ao final do leilão, o preço médio registrou um deságio de 1,25% em relação ao valor inicial (R$ 126,00). A previsão é de que sejam investidos cerca de R$ 3,3 bilhões na construção dos parques eólicos situados nos estados de Bahia, Ceará, Pernambuco, Piauí e Rio Grande do Sul (que concentrou o maior volume de capacidade instalada de energia). Participaram do leilão 28 concessionárias de distribuição, que assinarão junto aos empreendedores dos projetos vencedores contratos de compra e venda de energia com duração de 25 anos, válidos a partir de 1 de janeiro de 2016. Além da fonte eólica, integraram o leilão projetos de geração solar fotovoltaicos, termelétricos a biomassa e pequenas centrais hidrelétricas, contudo só a eólica conseguiu comercializar.

Empreendimentos solares não atraíram interesse na disputa

Ofertada pela primeira vez em um leilão de energia no Brasil, a fonte solar não atraiu interessados na disputa de ontem. Foram habilitados tecnicamente 429 projetos de geração de energia elétrica com potência instalada somada de 10.460 MW. Desse montante, 813 MW eram oriundos empreendimentos solares.
Agentes do setor já diziam acreditar que a fonte solar não conseguiria ser competitiva desta vez. “Nessa estreia de solar nos leilões, quem levou foi o vento… Mas todas as perspectivas são de que o preço da solar continuará a cair. Não tenho dúvida de que é uma questão de tempo para a solar entrar na nossa matriz”, disse o presidente da EPE (Empresa Energética), Maurício Tolmasquim.

Fonte: Jornal do Comércio

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