Estado não tem legislação para regular uso de terras agrícolas

 

Estado não tem legislação para regular uso de terras agrícolas Diogo Zanatta/Especial

Milharal perde espaço para o cultivo de oleaginosa a cada ano na lavouraFoto: Diogo Zanatta / Especial

A conservação do solo passa por ações bem conhecidas do produtor. A aplicação das técnicas, no entanto, ainda não é regulada no Rio Grande do Sul. Ao contrário do Paraná e de São Paulo, e do vizinho de fronteira Uruguai, o Estado não tem legislação específica para evitar erosão e degradação das terras agrícolas.
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– No Uruguai, só é permitido plantar soja em no máximo um terço da área. Aqui, a escolha fica por conta do agricultor – compara Edemar Streck, assistente técnico estadual da Emater.

Há alguns anos, um projeto de lei chegou a ensaiar a saída do papel na Assembleia Legislativa, mas a resistência de representantes do setor produtivo acabou travando a proposta. Agora, entre as metas indicadas pelo governo estadual, está a elaboração de um programa da gestão da água e do solo. A projeção é apresentá-lo antes do fim do ano.

– Cada solo tem uma aptidão agrícola, considerando não apenas suas características, mas a região como um todo – destaca Antonio Roque Dechen, professor da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (Esalq/USP).

Presidente do Conselho Científico para Agricultura Sustentável, o professor alerta que o solo não pode ser visto apenas como um bem de exploração, mas também de conservação para gerações futuras.

– Por isso, é importante que cada Estado tenha legislação própria para regular o uso da terra agrícola, considerando questões regionais – afirma Dechen.
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Citando o exemplo positivo do Paraná, que conseguiu recuperar áreas com erosão, o professor explica que a lei de uso do solo não deve apenas chamar a atenção de quem não cuidar da terra, mas beneficiar os produtores que fazem a lição de casa.

– Já avançamos bastante, o produtor está cada vez mais consciente com as questões ambientais – acrescenta Dechen.

Um dos exemplos é a rotação de culturas com o arroz irrigado, em áreas de várzea do sul do Estado. A introdução da soja nas terras baixas possibilitou a semeadura direta de arroz em sucessão, sem necessitar o revolvimento do solo, explica o agrônomo Darci Uhry Junior, do Instituto Rio-Grandense do Arroz (Irga).

– A rotação com soja trouxe inúmeros benefícios econômicos e agronômicos para a lavoura de arroz – afirma.

PRÁTICAS DE CONSERVAÇÃO

Uso da terra conforme a aptidão agrícola

Cada solo tem características específicas. Os mais arenosos retêm menos água do que os argilosos. Ou seja, o arenoso precisa de mais palha para facilitar a infiltração da água.

Plantio em nível

Os cultivos devem ser feitos no sentido transversal ao declive, fazendo com que a linha de semeadura favoreça a retenção da água. A prática reduz em até 50% os riscos de erosão no solo. A semeadura morro acima ou morro abaixo é a principal causa de erosão hídrica que ocorre no plantio direto.

Diversificação de culturas

A rotação de culturas (palha e raiz) é fundamental para manter a quantidade adequada de material orgânico no solo. Cerca de 70% da área plantada com culturas anuais no Estado recebe soja e milho na safra de verão e aveia preta e azevém espontâneos (guachos) no inverno. Esse modelo vem degradando a composição física e a fertilidade do solo.

Terraços

Barreiras feitas na lavoura conduzem as águas que não se infiltram no solo, impedindo que enxurradas levem para rios nutrientes e agrotóxicos. A água retida no terraço se infiltra no solo, irriga a lavoura e demora de três a cinco meses para chegar aos rios. A adoção do sistema plantio direto em lavoura com terraços agrícolas evita as perdas de nutrientes por erosão e pode gerar economia superior a 40% em fertilizantes, por ano agrícola.

Adubação de pastagens

Áreas ocupadas por grãos no verão e pecuária no inverno precisam ser adubadas para compensar o baixo nível de palhada e do pastoreio dos animais.

Fonte : Zero Hora

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