Estado decide sobre status sanitário nos próximos dias

Recentemente, o Rio Grande do Sul determinou a antecipação para março da vacinação dos rebanhos bovinos e bubalinos contra a febre aftosa ao invés do que ocorria anteriormente, em etapas desenvolvidas em maio e novembro.

Trata-se de uma estratégia do Estado para ser declarado, mais adiante, pelo Ministério da Agricultura e pela Organização Mundial de Saúde Animal (OIE), como livre dessa doença sem vacinação.

O secretário da Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural, Covatti Filho, informa que a decisão do encaminhamento ao ministério do pedido para que o Estado assuma essa condição ocorrerá até a primeira quinzena de março.

O dirigente comenta que o Rio Grande do Sul precisa atender a alguns itens para atingir a distinção, como resolver o problema de déficit de contratação de pessoal administrativo para as inspetorias veterinárias. Nesse sentido, Covatti Filho adianta que o Estado está pleiteando a admissão de 150 auxiliares administrativos.

Outra questão é a necessidade de aumentar a frota de veículos dessas inspetorias.

O secretário revela que, se não fosse feita a antecipação da vacinação, o Rio Grande do Sul optaria por não se tonar um estado livre de aftosa sem vacinação. Isso porque, se as vacinas fossem aplicadas somente a partir de maio, o certificado de livre da aftosa sem a vacinação só poderia ser obtido em maio de 2022, e a perspectiva é de que outros mercados, como o Paraná, alcancem essa situação em maio de 2021. Ou seja, um ano antes do que os gaúchos conseguiriam.

Com a antecipação, se tudo transcorrer satisfatoriamente, Covatti Filho diz que o Rio Grande do Sul poderá mudar o status sanitário juntamente com o Paraná, o que possibilitaria uma inserção maior da carne gaúcha no mercado internacional, sem maiores barreiras para a exportação.

O secretário da Agricultura acompanhou, nessa segunda-feira, a palestra "Perspectivas para o agronegócio do RS e os desafios comerciais, sanitários e geopolíticos globais", realizada pelo sócio-diretor da Cogo Inteligência em Agronegócio, Carlos Cogo.

O consultor argumenta que, se o Estado decidir solicitar o status de livre de aftosa sem vacinação, será um grande ganho; contudo, virá com um enorme ônus, que será a necessidade de proteger as fronteiras.

Durante a sua palestra, Cogo ressaltou que é principalmente a classe média que muda o perfil de consumo de alimentos no mundo.

Nesse cenário, ele destaca que a China passará os Estados Unidos neste ano como maior concentração da classe média, e a Índia também superará os norte-americanos em 2030. Outra projeção é que deverão cair as demandas no mercado global de arroz, feijão, derivados de trigo e fast food, e crescer o de frangos, suínos, bovinos e lácteos. No geral, até 2030, o consumo global de alimentos deve crescer 35%; o de energia, 40%; e o de água, 50%.

Também presente ao evento, o senador Luis Carlos Heinze enfatizou que uma preocupação quanto ao agronegócio brasileiro é o desequilíbrio da competição internacional devido aos subsídios dados em outros países. Segundo ele, a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) apontou que o subsídio dado a agricultores nos Estados Unidos, no ano passado, foi na ordem de US$ 94 bilhões; na União Europeia, US$ 126 bilhões; e na China, US$ 230 bilhões, contra US$ 7 bilhões concedidos no Brasil.

Fonte: Jornal do Comércio

Compartilhe!