Estado contará com planta de biometano

MARCELO G. RIBEIRO/JC
Esswein frisou que desenvolvimento do projeto levou dois anos
Esswein frisou que desenvolvimento do projeto levou dois anos

A próxima semana marcará um momento histórico para o segmento de bioenergia no Rio Grande do Sul. Além da apresentação de uma planta-piloto de biometano, instalada no município de Montenegro, será lançada a Associação Brasileira de Biogás e Metano (ABBM). Os dois eventos estarão entre os destaques da Renex South America – Feira Internacional de Energias Renováveis, que acontecerá de 27 a 29 de novembro no Centro de Eventos da Fiergs, em Porto Alegre.
A unidade de produção de biometano (um biogás purificado, com a retirada do CO2) aproveitará como matéria-prima os dejetos de aves poedeiras e resíduos agroindustriais. O termo “bio” é atribuído por ser procedente de um insumo orgânico, diferentemente do petróleo ou do gás natural, que têm origem fóssil. A estrutura foi montada pelo consórcio Ecocitrus e Naturovos, com apoio da Sulgás. O complexo já está operando para atender a demandas internas, fornecendo um combustível para automóveis semelhante ao gás natural veicular (GNV). O presidente da Ecocitrus, Fábio José Esswein, informa que o desenvolvimento do projeto durou cerca de dois anos. Até o momento, foram investidos aproximadamente R$ 4 milhões na iniciativa.
Em breve, assim como para abastecer carros, o biocombustível gerado poderá ser aproveitado na produção de energia elétrica. Nessa primeira etapa, a planta processará 5 mil metros cúbicos ao dia do gás e, posteriormente, o objetivo é alcançar, em cerca de um ano e meio, 20 mil metros cúbicos diários. Com isso, assim como poderá atender às necessidades internas do consórcio, será possível comercializar o excedente. Esswein diz que os resultados da experiência têm sido ótimos e estão aliados a ganhos ambientais, devido à destinação correta de resíduos.
A Ecocitrus possuiu know-how em ações sustentáveis. Desde 1995, para recuperar suas áreas, a Cooperativa dos Citricultores Ecológicos do Vale do Caí criou uma base de beneficiamento de adubos orgânicos, chamada de Usina de Compostagem de Resíduos Agroindustriais. Em parceria com agroindústrias da região, os restos orgânicos dessas empresas são destinados para a usina, que os transforma em adubo orgânico e biofertilizante. Agora, através de biodigestores, será possível produzir com os dejetos o biometano.
“Acreditamos que existe potencial para que esse combustível alcance uma participação representativa na matriz energética”, ressalta o diretor-presidente da Sulgás, Roberto Tejadas. O dirigente adianta que a interiorização do gás natural será potencializada com a viabilização de plantas de produção de biometano, como a de Montenegro.
Se a unidade impulsiona materialmente o setor de biocombustíveis, a criação da Associação Brasileira de Biogás e Metano dará apoio institucional para a área. “A ideia é lutar para termos um setor de biogás com uma cadeia de suprimentos, com formação de recursos humanos, e, para isso, é preciso trabalhar a questão política e o planejamento setorial”, enfatiza o consultor da MT-Energie Tecnologia do Biogás e presidente da ABBM, Mario Coelho.
O dirigente ressalta que se atualmente um investidor decidir comercializar energia elétrica gerada a partir do biogás, sofrerá com a indefinição e as incertezas das regras. O consultor frisa ainda que outras fontes renováveis, como a eólica e a solar, estão bem mais difundidas do que o biogás no País. A associação instalará escritório em Santa Cruz do Sul, mas terá abrangência nacional. Entre os participantes do grupo, estarão empresários, produtores rurais, professores, pesquisadores e consultores.

Fonte: Jornal do Comércio | Jefferson Klein

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