À espera de um novo horizonte

Analistas de mercado dizem acreditar que, no segundo semestre, o arroz em casca, que até então respondeu por 47% das exportações feitas neste ano, deve perder espaço para o grão beneficiado. Um dos motivos é a escassez de produto disponível para exportação, já que a indústria absorve a maior parte da safra.

Há, ainda, o fechamento de mercados da América Central, enquanto as fábricas gaúchas devem permanecer enviando arroz para países vizinhos como Peru e Venezuela, além de compradores tradicionais da África, o que pode manter a estabilidade dos negócios.

Existe, no entanto, alguma desconfiança com relação à capacidade de absorção do mercado internacional. "Estamos vendendo por que o Estados Unidos ainda não colheu e porque o produto deles é muito ruim, mas nossos clientes como México e países centro-americanos estão cheios de arroz", analisa o presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Arroz Parboiliza-do (Abiap), Amaral Júnior.

Já com relação ao consumo interno, as análises e movimentos recentes do mercado mostram que a situação permanecerá favorável para a indústria e produtores mais capitalizados e que ainda possuem grãos armazenados. Os estoques, que começaram 2020 baixos, devem chegar ao final do ano igualmente reduzidos.

Um dos reflexos disso foi observado na primeira semana de agosto, quando a saca de 50 kg arroz com 63% de grãos inteiros atingiu preço recorde de R$ 80,00 no Litoral Norte. No final de julho, a saca estava cotada em R$ 73,00. Esse aumento foi puxado, basicamente, pela disputa de empresas do Sudeste do País e do Sul gaúcho sobre a produção que ainda resta livre no mercado.

O medo de uma eventual falta de matéria-prima nacional para as indústrias gaúchas fez as companhias voltarem seus olhos para cargas de arroz estocadas no porto de Rio Grande e que ainda não tinham comprador no exterior. A tática deu certo e os estoques de algumas empresas estão seguros.

A preocupação se justifica pela existência de uma cláusula de barreira que impede o Rio Grande do Sul a importar mais de 10% do que produz, como forma de salvaguardar a produção primária local. Dessa forma, o que em outras situações garantiu proteção ao agricultor, agora pode fazer a indústria perder espaço para empresas de outras regiões do País que poderão importar além dessa quantidade para atende o consumo nacional.

Nesse quadro, quem deve sentir no bolso é o consumidor comum. Uma pesquisa de mercado realizada no início de agosto pelo site Planeta Arroz, especializado em acompanhar o mercado do grão, aponta para um aumento médio dos preços do quilo do arroz entre 2% e 3,5% registrado nas últimas semanas de julho. Em Porto Alegre, conforme o aplicativo Menor Preço, do governo do Estado, o preço do saco de cinco quilos de arroz tipo 1 no varejo varia, atualmente, entre R$ 14,26 e R$ 24,69, enquanto em Pelotas fica entre R$ 14,69 e R$ 17,99.

A pergunta, ainda sem resposta, feita pelos analistas de mercado, é se, uma vez pressionada pelos produtores ávidos por empréstimos para iniciar a semea-dura, as indústrias irão manter os preços praticados atualmente ou repassarão o custo dessa compra antecipada aos atacadistas e varejistas? A conferir.

Fonte: Jornal do Comércio

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