Especialistas debatem soluções para combater nematoides na lavoura

Perda na cultura da soja devido aos nematoides é estimada em 30% da produção

 

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Foto: Divulgação/Embrapa

Perda na cultura da soja devido aos nematóides é estimada em 30% da produção

Mato Grosso sedia o 31º Congresso Brasileiro de Nematologia, que iniciou nesta segunda, dia 19. Uma pesquisa recente mostrou que 96% das ocorrências da doença são causadas pela nematoide das lesões. Durante o evento, estão sendo discutidas formas de controlar os ataques desses vermes. Produtores, professores, estudantes além de técnicos ligados ao setor agrícola, acompanharam as palestras de diversos assuntos ligados aos nematóides.
– Nós temos perdas consideráveis de produção, em função dos ataques desses vermes. Este é um momento oportuno para trazer o congresso para o Mato Grosso, que está nessa situação – disse a pesquisadora da Embrapa Agrosilviopastoril (MT), Valéria de Oliveira Faleiro.
A ocorrência desses vermes varia conforme a região, solo e tipo de sistema produtivo. No Estado são encontradas algumas espécies. Segundo o engenheiro agrônomo, Naildo Lopes, a que desperta maior preocupação é a nematóide das lesões, descoberta recentemente.
– Esse é um nematoide que danifica e apodrece a raiz. Ele está se alastrado praticamente no Estado inteiro, e as dificuldades do seu controle, principalmente, em função da sucessão de culturas, tem nos prejudicado em função que nós temos que reduzir a sua população. Eliminar esse nematóide é muito difícil, nós temos que conviver com eles. Para isso, nós teremos que ter noção da fertilidade do solo, da variedade que estamos plantando – explica.
O professor da Esalq USP, Mario Massayuki Inomoto pede mais investimentos para se estudar melhor essa nova praga.
– Esse nematoide precisa ser estudado muito mais em seus vários aspectos. eu tentei ressaltar na palestra que os recursos disponíveis são escassos para toda essa demanda, e o desafio que representa o controle do pratylenkus, da cultura da soja, mas que podem também trazer prejuízos em outras culturas – disse.
Enquanto se estuda uma fórmula para o controle do nematoide de lesões, o pesquisador da Embrapa Agropecuária Oeste, Guilherme Lafourcade Asmus, defende a rotação de culturas. Para ele, o aumento de áreas cultivadas com soja, algodão e milho no Estado propiciou o aumento do número de casos.

– A rotação de culturas é uma das principais praticas de manejos para você diminuir a população dos nematoides parasitas no campo. Existe, hoje, uma tendência da rotação de cultura passar a ser uma sucessão, e isso pode trazer conseqüências indesejadas, por exemplo, a soja era utilizada em rotação com o milho, hoje, na verdade o  milho se deslocou do verão para o outono, e é utilizado como sucessão na soja. Essas permanências de raízes no campo, soja e milho, pode ser um fator importante para a manutenção e crescimento populacional de determinas espécies – conta o pesquisador.
– Em primeiro lugar, o produtor precisa fazer uma análise, em qual o tipo de nematoide que ele tem, a partir daí é que vai iniciar o procedimento de convivência e o trabalho de controle – concluí o engenheiro agrônomo.

A perda na cultura da soja devido aos nematoides é estimada em 30% da produção. Dependendo da espécie de nematoide e da população existente no local, pode haver o comprometimento total da lavoura. Os nematoides são vermes presentes no solo e na água. Algumas espécies parasitam animais e outras parasitam as plantas, os chamados fitonematoides. Os nematoides retiram substâncias nutritivas das plantas e injetam substâncias tóxicas na célula vegetal. Com isso causam perda de desempenho, deformações e a redução de produtividade.

O evento, que vai até quinta, dia 22, vai reunir 450 pesquisadores, professores, estudantes de graduação e pós-graduação, produtores e técnicos de empresas públicas e privadas ligados ao setor agrícola. Nesta edição, o congresso é realizado pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Centro Universitário de Várzea Grande (Univag) e Fundação de Apoio à Pesquisa Agropecuária de Mato Grosso (Fundação MT).

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CANAL RURAL COM INFORMAÇÕES DA EMBRAPA

Fonte: Ruralbr

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