Especialistas atribuem queda na atividade da agroindústria em 2011 a fraco desempenho do setor sucroenergético

Pesquisa do IBGE aponta redução de 2,3% nos números gerais do segmento no ano passado

Daniel Marenco / Agencia RBS

Foto: Daniel Marenco / Agencia RBS

A atividade da agroindústria brasileira apresentou queda de 2,3% em 2011, de acordo com o Instituto Brasileiro de Economia e Estatística (IBGE). Para o economista do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (IEDI) Júlio Gomes, o desempenho negativo foi influenciado principalmente pelo setor sucroenergético. Desde a crise financeira de 2008, os produtores e usina sofrem as consequências da turbulência econômica, além da falta de investimentos e dificuldades com o clima, que provocaram quebra na atual safra. O reflexo na indústria é comprovado pelos números, uma vez que, no ano passado, a produção de açúcar registrou baixa de 12% e de álcool 22%.

– Foi uma queda muito forte, em função de um problema que hoje podemos dizer que é estrutural. Vai ter que melhorar preço e a política industrial para o setor. Para que permita a ele voltar a investir no plantio, que demora, e tem que ter incentivo para aumentar sua produção – afirma.

Outro setor que pesou para o resultado negativo das agroindústrias brasileiras foi o de defensivos. Sem conseguir a atender à grande demanda no mercado interno, foi preciso importar o produto de outros países. A situação enfraqueceu as empresas nacionais, que recuaram 16%. Para o presidente da Associação Nacional de Defesa Vegetal (Andef), Eduardo Daher, o problema não deve ser resolvido em curto prazo.

– O que aconteceu é que, para suprir esta demanda de produtos agrícolas que o Brasil é exportador, nós fomos obrigados a importar mais do que o habitual. Não que as fábricas não dessem conta, mas a decisão de investimentos demora a maturar. E investir no Brasil. Hoje, há alguns gargalos conhecidos, como o da infraestrutura, da logística, portos deploráveis. Todo este conjunto de coisas aliado ao problema do câmbio levam invariavelmente à busca para suprir o mercado com a importação – salienta.

Daher acrescenta que há demora do governo brasileiro em aprovar novos produtos.

– Gargalo regulatório dos nossos produtos. Para colocar um novo produto no mercado, registrado, eu passo pelo crivo ambiental do Ibama, toxicológico da Anvisa e agronômico do Ministério da Agricultura. Em vez de levar 120 dias, como a lei preconiza, levo 38 meses para registrar um novo produto. Em um ano como 2011, eu não vou ficar esperando. Vou para a China e trago, vou para a Índia e trago, vou para a África do Sul e trago – diz.

O IBGE calculou também a atividade da agroindústria na pecuária em 2011. O setor registrou queda de cerca de 2%. O destaque ficou por conta da indústria do leite, que produziu 3% a menos do que em 2010. Os derivados da carne de ave tiveram queda de 2,2% e da carne bovina, 0,7%. Gomes aponta que será difícil reverter a queda registrada pela agroindústria.

– Penso que a queda muito acentuada não vai se repetir. O que a gente pode esperar em 2012, 2013 não é uma melhora significativa, mas que fique “menos ruim”. Melhorar a competitividade na produção de alguns produtos industrializados. Taxa de câmbio melhor e, do lado do setor da cana-de-açúcar, mais incentivos, para que ele volte a crescer – conclui.

Fonte: Ruralbr | João Henrique Bosco

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