Especialistas apontam benefícios da transposição do São Francisco

Galizia Tundisi, senador Pimentel e Robson Afonso Botelho na audiência da CI Foto: Lia de Paula

Irrigação para agroindústria e lavoura, fornecimento de água para animais, perenização de córregos e rios do Nordeste setentrional, avanços na saúde e geração de empregos. Esses seriam alguns dos benefícios da transposição do Rio São Francisco, de acordo com os participantes da audiência pública promovida ontem pela Comissão de Serviços de Infraestrutura (CI).

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Para o presidente do Instituto Internacional de Ecologia (IIE), José Galizia Tundisi, a transposição do Rio São Francisco não é simplesmente uma obra de integração hídrica, mas uma obra de integração regional. Tundisi disse que a transposição vai garantir segurança hídrica para milhões de nordestinos, observando que açudes, barragens e cisternas são importantes, mas não garantem a perenização do fornecimento de água.

Tundisi acrescentou que uma quantidade maior de água disponível no Nordeste vai incrementar a agricultura e fortalecer a economia regional. Para o presidente do IIE, água é fator de ­desenvolvimento econômico e social, além de auxiliar na saúde e na qualidade de vida.

— Os críticos não precisam se preocupar com a quantidade de água que está sendo transportada. É muito pouca água, é menos de 5% do volume do rio — explicou Tundisi.

Apesar de apontar benefícios, Tundisi alertou para a importância da qualidade da gestão da água no Nordeste.

Medidas como plano de gestão integrada de todos os recursos hídricos da transposição, monitoramento da qualidade e da quantidade da água e mais investimentos nos recursos tecnológicos de irrigação, para melhor aproveitamento da água, foram apontadas por Tundisi como importantes para o sucesso do projeto.

Redenção

O engenheiro Francisco Xavier Mill, representante do Ministério da Integração Nacional, informou que a transposição poderá beneficiar até 12 milhões de pessoas, em cerca de 390 municípios. Mill reconheceu que a obra enfrentou problemas de execução, mas informou que todos os lotes contratados estão em atividade operacional. Ele acentuou que uma parte muito pequena do rio será transposta na obra, assegurando que jamais faltará água no leito do rio e que o excesso do volume vai garantir a solução de problemas crônicos na região.

— A abrangência da perenização não é orçada nem visível para a população. Esse projeto é redentor para o Nordeste setentrional — afirmou.

O senador Inácio Arruda (PCdoB-CE) lembrou que muitas regiões do Nordeste enfrentam até dois anos seguidos de seca grave. Assim, disse o senador, a situação climática termina comprometendo o crescimento da economia.

— A transposição é muito importante para o Ceará e para o Nordeste — disse Arruda.

Segundo o senador José Pimentel (PT-CE), que presidiu a audiência pública, a grande vantagem da transposição é usar a água que está à disposição do Nordeste. O senador lembrou que não se pode ter a certeza da abundância de chuvas todos os anos. Daí, a necessidade de uma reserva para atender os momentos mais críticos de seca.

— É segurança para 12 milhões de pessoas que hoje dependem do carro-pipa e que amanhã poderão ter outra qualidade de vida — declarou o senador.

Jornal do Senado

(Reprodução autorizada mediante citação do Jornal do Senado)

Fonte: Jornal do Senado

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