Especial – Novo Código Florestal afetará, principalmente, os bananicultores

Adequação já está ocorrendo para recuperar as APPs e reservas legal. Agricultores estão cientes da lei Encerramos a série especial do Código Florestal desta semana com o município de Schroeder, apresentando como o governo municipal, sindicato e agricultores estão encarando a discussão das mudanças para a legislação. Também, abordamos o que os produtores rurais já tem feito com base na lei antiga para preservaro meio ambiente.

Rudmar Peschke, bananicultor. (Fotos: Marcele Gouche)

“Rio forçou afastamento”

Natural de Schroeder, O bananicultor Rudmar Peschke, de 44 anos, sempre viveu da agricultura, e além da produção de bananas, também faz criação de peixes. Há cerca de dez anos, adquiriu um terreno de 30 hectares, onde já fez a averbação da reserva legal, além dos terrenos que herdou do pai.

Ele garante que já está pronto para seguir as exigências do novo Código Florestal. Embora ainda não tenha feito todo o afastamento do leito dos rios, não vê grandes dificuldades paramanter as APPs. “Em um dos terrenos o rio forçou o afastamento, durante as enchentes do ano passado.

Nos outros, só esperamos a colheita do que já está dentro da área”, explica o produtor. Depois da experiência em que a correnteza levou parte da produção, não vê problema em manter a distância. “Não é um afastamento tão grande, perto do que pode acontecer o prejuízo não é tudo aquilo”, ressalta.

Área rural menor

Com a menor área rural da região, de apenas 3.575 hectares, Schroeder está aos poucos aplicando o Código Florestal, dentro da legislação antiga. Neste espaço, vivem 1.613 dos15.316 habitantes do município – 10,5% da população.Segundo a engenheira agrônoma da Secretaria da Agricultura, Fabiane Socolotti, a preocupação maior é com a produção de banana – muitas vezes dentro da área a ser preservada na margem dos rios.

“No resto, alguns dos agricultores já está fazendo a reserva legal e a recuperação das APPs (Áreas de Preservação Permanente), embora a maioria esteja aguardando a aprovação do código”, afirma.

A reportagem do O Correio do Povo não conseguiu contato com o presidente do Sindicatodos Trabalhadores Rurais de Schroeder, embora tenha sido informado da posição oficial do sindicato: aguardar a aprovação do código, e esperar que o afastamento dos rios possa ser visto caso a caso.

A fiscalização do Código Florestal já está sendo feita pela Secretaria do Meio Ambiente, dentro dos termos do antigo. Segundo o secretárioda pasta, José da Cruz, a metodologia deve ser revista caso os limites de afastamento sejam alterados, e por isso, os técnicos estão aguardando a confirmação da nova legislação. Até lá, sem capacidade para fiscalizar todos os terrenos, o órgão está exigindo a averbaçãoe fazendo a vistoria antes de aprovar qualquer pedido de corte de vegetação.

Vanderleia Alflen, Bananicultora

Mata não falta

Já a também bananicultora Vanderleia Alflen, de 40 anos, se demonstra mais apática quanto ao novo código, embora tenha acompanhado o andamento do processo. No seu entendimento, o efeito não deve ser muito grande, e não deve mudar muitacoisa.

Sem ter feito a averbação da reserva legal, diz manter uma área verde preservada dentro da propriedade – na família desde a geração da avó. “Essa questão da preservação tem que ver como vai ficar, mas não acho que vá nos afetar muito, já temos preservado na encosta”, alega. Porém, ela se preocupa um pouco com o afastamento dos rios.

“Tem que ver se esses 15 metros não vão nos prejudicar, e o que vamos ter que fazer depois, a nossa casa já está dentro dessa faixa”, exclama.

As consequências vão além do desmatamento, diz ambientalista

Germano Woehl, Ambientalista. "A situação da agricultura familiar édramática e deverá ocorrer o mesmoque nos Estados Unidos e outrospaíses desenvolvidos, onde são rarase em processo de extinção".

Germano Woehl afirma que assoreamento dos rios causado pela ocupação dos leitos deve prejudicar abastecimento de água e geração de energia nos próximos 40 ou 50 anos.

Mais do que afetar a produção rural, o Código Florestal atinge uma questão global: a preservação do meio ambiente. Enquanto a visão dos ruralistas já foi demonstrada ao longo desta série, com o receio da perda de terras para a preservação e chegando até a rejeição da importância dos esforços de conservação, a visão ambiental é completamente oposta. Conversamos com o coordenador de projetos do Instituto Rã-Bugio para a Conservação da Bio-Diversidade de Jaraguá do Sul, Germano Woehl, sobre as implicações do código e o estado atual de preservação do meio ambiente. A leitura do especialista aponta para uma situação péssima e agravante.

Fonte: O Correio do Povo | Pedro Henrique Leal

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