ESPECIAL FENASUL | Resfriamento é ponto frágil

Apesar de a investigação do Ministério Público sobre fraude no leite não ter apontado produtores como responsáveis, a onda de impacto pode atingir quem está na origem da cadeia. A má notícia é que, na propriedade, há pouco a fazer para proteger o seu produto.
Com uma ociosidade de 40%, as indústrias do Estado teriam capacidade de armazenar maior quantidade de leite, evitando a passagem por postos de resfriamento, ponto avaliado pelo presidente da Federação dos Trabalhadores na Agricultura no Rio Grande do Sul (Fetag), Elton Weber, como o mais fraco no caminho entre a ordenha e o consumidor final. Com menos intermediários, aumentaria a garantia de qualidade do produto.
– Diretamente, o produtor não tem como fazer alguma coisa específica. O que resta é pressionar para que os outros também façam – afirma.
A entidade deve solicitar ao Ministério da Agricultura e ao governo estadual ações concretas para aumentar a fiscalização durante o processo.
– Se olharmos o volume que passou por esses lugares (investigado pelo MP), não foi tão expressivo, mas macula a imagem do leite. O produtor e a indústria, que fazem um trabalho correto, acabam pagando – lamenta.
Jorge Schulz, coordenador do Centro de Pesquisa em Alimentação da Universidade de Passo Fundo, avalia que indústria e produtores têm preocupação com a qualidade do leite, pois problemas como esses afetam diretamente o consumo e as vendas.

DO PRODUTOR À INDÚSTRIA

1. NA PROPRIEDADE

Conforme especialistas no setor, as fraudes costumam ocorrer fora da propriedade. A maior parte da adulteração surge logo após o leite deixar o produtor, e antes de ser entregue à indústria.

2. NO TRANSPORTE

Os transportadores costumam fazer coletas diárias nas propriedades e são responsáveis pelos primeiros testes, de temperatura e acidez. Aprovado, o produto pode seguir direto para a indústria ou ser encaminhado para postos de resfriamento. Além de testar, retiram uma amostra do produto e conservam para eventuais contraprovas. É onde ocorreu a fraude.

3. NA INDÚSTRIA

Como a indústria é responsável por testar o próprio produto, os órgãos competentes só atuam de forma mais intensa na cadeia e nas processadoras quando já há suspeitas de irregularidades.

Fonte: Zero Hora

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