ESPECIAL FENASUL | COMO FISCALIZAR O LEITE

Adulteração durante o transporte da propriedade até a indústria preocupa produtores do Estado

A mostras muito específicas de leite adulterado com água, ureia e formol, estrutura de fiscalização restrita e negligência das próprias empresas beneficiadoras ajudam a explicar como um esquema de fraude levou quase um ano para ser desarticulado. A operação Leite Compen$ado, desencadeada na quarta-feira pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul e o Ministério da Agricultura, , evidenciou as fragilidades do sistema de fiscalização e de controle dos órgãos competentes e das próprias indústrias.
– O Estado nunca será onipresente, nunca estará em todos os locais. O que é preciso é que cada elo da cadeia produtiva faça a sua parte – afirma Ana Stephan, chefe da divisão de defesa agropecuária da superintendência do Ministério de Agricultura no Rio Grande do Sul.
Três das quatro fabricantes que receberam leite adulterado eram fiscalizadas pelo Ministério da Agricultura. Apenas uma, a Latvida, estava sob o radar da Secretaria da Agricultura do Estado. Com apenas sete fiscais e 18 agentes de inspeção no Ministério da Agricultura para monitorar a produção de leite, Ana explica que, quando é necessário acompanhamento mais próximo, são recrutados fiscais lotados em frigoríficos. Mas admite a necessidade de reforçar a estrutura diante da indignação dos consumidores.
– Teremos um concurso em breve, e esperamos contar com mais fiscais – afirma Ana.
Conforme a chefe da defesa da superintendência, os problemas com o leite serviram de alerta para um aperto na fiscalização, e já surge em Brasília uma discussão sobre normativa para regularizar a atuação dos transportadores – como não fazem parte formal do setor, é difícil monitorar a atuação desse grupo. O próprio ministério teve problemas para fazer a coleta nos caminhões e reservatórios: fiscais tinham de surpreender os transportadores para coletar as amostras, já que não há obrigatoriedade para que eles façam os próprios testes.
GOVERNO VAI PROPOR MUDANÇAS
A figura do transportador autônomo, que busca leite onde houver o melhor preço, sem compromisso com a qualidade do produto recebido ou entregue à indústria, também entrou na mira da Secretaria da Agricultura. Conforme o secretário Luiz Fernando Mainardi, o Estado vai propor a eliminação do transportador autônomo nessa atividade produtiva. Outra medida deve ser a contratação, por meio de concurso público, de mais fiscais.
– O transporte, da porteira da propriedade às plataformas dos laticínios, deve ser de responsabilidade da indústria que, assim como o produtor e os órgãos de fiscalização do Estado, tem responsabilidade sobre a qualidade do leite – afirmou Mainardi.
erik.farina@zerohora.com.br

ERIK FARINA

Fonte: Zero Hora

Compartilhe!