Escola é exemplo de ensino na área rural de Duque de Caxias (RJ)

Uma escola onde os próprios alunos plantam e cuidam de parte dos alimentos que consomem nas merendas. 
Uma unidade de ensino da qual ex-alunos fazem questão que seus filhos nela estudem; rodeada por uma vizinhança de agricultores familiares que participam do dia a dia das atividades escolares, inclusive doando parte da produção para reforçar a alimentação das crianças.
Um espaço de formação onde a escolarização caminha junto à valorização dos conhecimentos  e tradições da cultura do campo, despertando desde cedo nas crianças o interesse e o respeito pela  vida rural e pela natureza.
Assim é a Creche Escola do Campo Municipal do Bairro Tabuleiro, localizada em Xerém, área rural de Duque de Caxias,  aos pés da Serra do Tinguá, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro. 
Horta escolar como laboratório e fonte de alimentos para a merenda
Com 120 alunos,  da creche ao 5o ano do ensino fundamental , a escola do Bairro Tabuleiro tornou-se uma referência na rede municipal de ensino de Duque de Caxias pela prática pedagógica de formação escolar contextualizada ao espaço rural onde está inserida.
Há 28 anos focada nessa proposta, a escola do Tabuleiro tem no projeto de horta escolar “Em se plantando, tudo dá”, o principal “laboratório” para que os alunos ponham em prática e transportem os conhecimentos repassados pelos professores para a realidade do meio onde vivem.  
No planejamento da horta da escola, cada turma tem o seu próprio canteiro e as crianças são responsáveis  pelo plantio e a manutenção das espécies cultivadas, com supervisão de professores e funcionários.
Na atual “safra” produzida pelos alunos, as merendeiras da escola têm à disposição couve, almeirão, cebolinha verde, coentro comum e chinês, cenoura, alface e alho poró, dentre plantas medicinais e outras culturas permanentes e sazonais.
“A gente trabalha com tudo fresquinho. Tiramos da horta, higienizamos e utilizamos no preparo do prato das crianças. A qualidade é totalmente diferente, muito melhor em sabores e aromas.  E o melhor, sem agrotóxicos.”, disse o nutricionista William Santos, responsável pela elaboração do cardápio da merenda consumida pelas crianças.
Filha de agricultores familiares, criada no bairro Tabuleiro , Marilza de Azevedo Silva Santos é pedagoga e diretora da creche escola há 28 anos. 
Ela explicou que todas as disciplinas ministradas aos alunos acabam sendo demonstradas ou praticadas na horta escolar.
“A gente busca a contextualização de tudo o que é ensinado às crianças com o projeto da horta escolar;  da matemática ao português, usamos a horta como laboratório. Por exemplo, nós praticamos a matemática na hora de contar quantos pés de uma espécie existem em um canteiro ou exercitamos a língua portuguesa  quando pedimos às crianças que escrevam uma redação sobre a experiência de plantar”, explicou a diretora da escola.
Modelo contribui para redução do êxodo rural
Em sua avaliação, o conceito da didática praticada na escola do Tabuleiro tem estimulado o interesse das crianças pela vida e pelo trabalho no campo, razão pela qual cerca de 50% dos ex-alunos, segundo estimativas da diretora, mantiveram-se na região desempenhando atividades produtivas rurais, principalmente dando continuidade à empreendimentos da agricultura familiar, na sucessão dos pais.
“ É motivante para a criança a valorização duas suas vivências. É nítida a empolgação delas quando percebem a aplicação prática daquilo que estão aprendendo no dia a dia delas e das suas famílias. Isso ajuda a formar um espírito de carinho, um sentimento de pertencimento ao meio onde vivem e o desejo de trabalhar no campo.”, explicou Marilza Santos.
“E o resultado disso é que hoje as crianças que eu atendo são, na maior parte, filhas de ex-alunos  aqui da escola. Ou seja, nosso esforço, por menor que seja, está contribuindo para a redução do êxodo rural, que é uma das principais metas da nossa didática voltada para o campo”, completou a diretora.
Exemplo para estados e municípios
Para a delegada Federal do Desenvolvimento Agrário no Rio de Janeiro, Danielle Barros, o trabalho desenvolvido na Creche escola do Tabuleiro deveria servir de modelo de educação no meio rural a ser adotado por estados e municípios.
“Supervalorizar e transportar para o campo um modelo de escola tipicamente urbano é um erro infelizmente ainda comum. Isso projeta nas crianças rurais um mundo totalmente diferente da realidade delas, longe das práticas domésticas e familiares do seu meio. Isso a leva a depreciar o estilo de vida do campo e a desejar o modo de vida urbano, fator que irá contribuir, mais adiante, para que ela deixe o local onde vive e vá tornar-se subempregada nas cidades”, avaliou a delegada.
Danielle Barros defende maiores investimentos na educação rural, com a adoção do modelo de escolas do campo bem estruturadas e com profissionais capacitados e motivados, juntamente com ações, investimentos e demais políticas de apoio ao pequeno produtor rural, como condições essenciais para deter a saída dos jovens rurais para as cidades e, assim, manter disponível e ativa a mão de obra que movimenta a agricultura familiar.  ‘
“Essas escolas (do campo) deveriam contar até mesmo com assistência técnica e extensão rural para auxiliar e transmitir conhecimento para as crianças desde cedo, como no caso das hortas escolares. Porque um dos maiores problemas do campo hoje é vencer o desafio da sucessão rural. A gente ainda conta com poucos jovens agricultores. O caminho da educação, da motivação através do resgate de valores e hábitos é a solução para reverter esse quadro.”, concluiu Danielle Barros.

Sidney Dantas / DFDA-RJ
Secretaria Especial de Agricultura Familiar e do Desenvolvimento Agrário
Assessoria de Comunicação

Sidney Dantas

Fonte : MDA

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