Escassez de chuvas e calor atrasam plantio de trigo no Paraná

A seca e as altas temperaturas estão atrapalhando o início do plantio de trigo no Paraná, principal produtor do cereal no país. Ainda que seja cedo para avaliar se isso causará danos à atual safra, os agricultores estão em alerta porque já vêm de uma redução na produção passada devido ao clima adverso. E as previsões, ao menos por ora, não sinalizam que as precipitações serão de grandes volumes nos próximos dias.

Normalmente, nesta época do ano, pelo menos 5% da área com trigo deveria estar semeada no Paraná. Mas cálculos do Departamento de Economia Rural (Deral), vinculado à Secretaria da Agricultura e do Abastecimento do Estado (Seab), indicam que o patamar atual não chega a 1%. "A falta de chuva e o calor têm colaborado para não sobrar umidade nenhuma no solo, necessária ao plantio", diz Hugo Godinho, analista do Deral.

O Paraná deve plantar 1,19 milhão de hectares com trigo no atual ciclo 2015/16, queda de 11% em relação à safra anterior, devido principalmente à migração de área para o milho – cujos preços estão mais atraentes -, prevê o Deral. A colheita, por sua vez, está projetada em 3,6 milhões de toneladas, 10% acima de 2014/15, e o equivalente a 65% do total nacional. Vice-líder na produção de trigo no país, o Rio Grande do Sul deve começar o plantio apenas em maio.

No ano passado, a produtividade do cereal caiu no Paraná em função do excesso de chuvas durante o desenvolvimento das lavouras, que afetou a quantidade, e em algumas localidades, também a qualidade do cereal. Assim, a produção passada somou 3,3 milhões de toneladas, bem abaixo das 4 milhões inicialmente estimadas.

Na região de atuação da Coamo, maior cooperativa agrícola da América Latina, com sede em Campo Mourão (PR), em torno de 20% da área com trigo já está plantada. Contudo, se o clima estivesse colaborando, esse nível já estaria mais próximo de 35% a 40%, de acordo com Lucas Esperandino, supervisor da área de assistência técnica da Coamo.

Este ano, a competição com o milho tende a fazer os cooperados semearem 320 mil hectares com o cereal, 20% aquém do ano passado. "Está atrasando um pouco, mas, dentro do planejamento, até final de maio e início de junho ainda é época boa para plantar", afirma Esperandino.

Ocorre que os humores do clima tendem a continuar impondo um ritmo mais lento aos trabalhos nos campos do Paraná. Previsões indicam para a semana que vem a passagem de uma frente fria no sul do Brasil, que promete trazer um pouco mais de chuvas ao Estado, mas os volumes não serão muito expressivos. "A chuva ameniza a situação, mas não resolve todo o problema", afirma César Soares, meteorologista da Climatempo.

De acordo com Soares, o oeste, centro-sul e a região metropolitana do Paraná terão mais precipitações até o próximo fim de semana, que podem chegar a 100 milímetros (mm). A situação é de maior aperto de umidade no norte do Estado, onde deve chover entre 30 mm e 50 mm no período. "Também para o início de maio, a princípio, é uma condição de poucas chuvas no Paraná", afirma o meteorologista.

Por Mariana Caetano | De São Paulo
Fonte : Valor

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