Escala colabora para impulsionar resultados nos EUA

Toda semana, a JBS abate cerca de 600 bois no "pequeno" frigorífico que tem em Omaha, no Estado americano de Nebraska, para a produção de carne bovina orgânica. Se estivesse no Brasil, o abatedouro com capacidade para processar 1,1 mil cabeças ao dia no total seria considerado uma grande unidade. Nos EUA, trata-se da menor planta da JBS.

A comparação entre as operações de carne bovina da JBS nos Estados Unidos e no Brasil dá uma ideia do quão diferente são as escalas dos dois negócios. Considerando apenas os negócios de gado bovino criado especialmente para abate, carro-chefe da JBS USA, o faturamento é da ordem de US$ 10 bilhões (cerca de R$ 40 bilhões), de acordo com o presidente da companhia nos EUA, André Nogueira. Como um todo, a JBS USA Beef – que inclui os negócios na Austrália e no Canadá -, tem receita líquida de US$ 22 bilhões. No Brasil, a receita líquida anual do negócio de carne bovina supera R$ 25 bilhões.

Os três frigoríficos de referência da empresa nos EUA, em Greeley (Colorado), Cactus (Texas) e Grand Island (Nebraska), têm capacidade para abater 6 mil bovinos ao dia. No Brasil, a maior planta, em Campo Grande (MS), não chega a abater 3 mil bois. O rendimento de carne por boi também é muito diferente: 300 quilos de carcaça por animal no Brasil e mais de 350 quilos nos EUA.

A produção de carne bovina nos EUA é concentrada em poucos frigoríficos porque o gado fica em uma área menor – alojados em confinamentos. No Brasil, por outro lado, os frigoríficos são de menor porte e o gado está mais espalhado. Economicamente, só faz sentido comprar bois em um raio de cerca de 300 quilômetros. Além disso, o confinamento não é a regra na pecuária brasileira. Apenas 10% do volume de gado abatido ao ano é oriundo do sistema intensivo de engorda.

Essas diferenças entre a pecuária dos dois países ajudam a explicar por que no Brasil a JBS, que á líder, tem mais de 35 frigoríficos. Nos EUA, são apenas nove abatedouros – quatro destinados ao abate de gado bovino criado nos confinamentos especialmente para o abate ("fed beef") e as outras para o descarte de vacas ("regional beef"). Segundo Nogueira, o negócio é assim separado porque os animais estão localizados em regiões diferentes. Os frigoríficos que abatem mais vacas estão nas regiões de pecuária leiteira.

Também há diferenças nas vendas de carne no varejo. Nesse caso, no entanto, o Brasil está mais avançado. "Há menos marca de carne bovina nos Estados Unidos do que no Brasil", disse o executivo da JBS, empresa pioneira em marcas de carne no mercado brasileiro com a Friboi.

De acordo com Nogueira, as marcas próprias das redes varejistas dominam o mercado americano, sobretudo no segmento de "case ready" – carne na bandeja, segmento muito forte nos Estados Unidos pela importância da carne moída nas vendas no país. Atualmente, 50% da carne bovina comercializada nos EUA se dá na forma de carne moída, disse o executivo.

Por Luiz Henrique Mendes | De Greeley (Colorado)

Fonte : Valor

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