ENTREVISTA: Novos desafios para Claudio Lamachia

Depois de seis anos, presidente deixa a OAB/RS e acena para uma candidatura a vice da Ordem nacional

Daniel Sanes e Valeska Linauer, especial para o JC

MARCO QUINTANA/JC
Advogado destaca o alto índice de aprovação de suas duas gestões

Advogado destaca o alto índice de aprovação de suas duas gestões

Depois de seis anos na presidência da OAB/RS, Claudio Lamachia deixa o cargo neste 31 de dezembro. No dia seguinte, Marcelo Bertolucci, eleito para comandar a entidade durante o próximo triênio, assume o posto, dando continuidade ao trabalho de seu antecessor, já que concorreu pela chapa da situação. Enquanto isso, Lamachia vai em busca de novos desafios, integrando o Conselho Federal da Ordem, onde tenta alcançar um posto diretivo até agora inédito entre os advogados gaúchos. Em entrevista ao Jornal do Comércio, ele avalia o saldo de suas duas gestões e fala sobre suas ambições dentro da OAB nacional.

Jornal da Lei – Depois de seis anos, o senhor deixa a OAB/RS. O que o senhor avalia dessa dupla gestão?
Claudio Lamachia –
Acho que nós temos muito o que comemorar. Nossas duas gestões trouxeram uma série de conquistas para a OAB/RS. A Ordem foi lançada a um papel de protagonismo no Estado. No campo material, conseguimos adquirir uma sede na Capital e mais de 20 sedes do Interior. No campo legislativo, destacam-se os projetos de lei que apresentamos em nome da advocacia. Tivemos um forte trabalho institucional, que aproximou muito a OAB e a sociedade, com campanhas que são de interesse da Ordem, mas que são, acima de tudo, compromisso da OAB com a sociedade, cumprindo efetivamente o papel que ela tem frente ao Artigo 44 da Lei 8.906 do Estatuto da OAB.  Eu citaria nesse sentido, de cidadania, o programa Saúde, Rio Grande – Cumpra-se a Lei, e ainda nessa área, há poucos dias tivemos uma vitória muito grande na Assembleia Legislativa, de ter colocado no orçamento os 12% na área da saúde. A Ordem teve papel relevante nesse projeto, liderando inúmeras entidades da área médica. Também há o caso da crítica que fizemos à telefonia móvel celular. Criticamos as empresas porque não estão investindo, e a Anatel pela leniência com que ela trata essa questão. Todo mundo precisa do celular para trabalhar, mas o advogado, em especial. O advogado que está no Interior, onde muitas vezes não chega internet, precisa do seu telefone móvel para se comunicar. Posso falar também da questão dos presídios, a qual a Ordem também assumiu como uma causa sua, na cobrança de melhorias, tanto para os presos quanto para nós, como sociedade, que queremos ter segurança na rua, e os advogados dos detentos, para que eles tenham melhores condições quando frequentarem o local.
JL – Seus críticos alegavam que a OAB estava muito focada nas questões externas à Ordem, e não nos advogados. Qual é a sua opinião sobre isso?
Lamachia –
Se eu fosse avaliar essas críticas, eu estaria sendo parcial, até porque estamos falando de um trabalho meu. A avaliação que foi feita sobre o trabalho da Ordem ao longo desses seis anos não é minha, ela é e foi dos advogados do Rio Grande do Sul. Fui reeleito presidente da Ordem há três anos com 82% dos votos. Tivemos há um tempo uma pesquisa nacional feita com todas as OABs do País, na qual foi revelado que o índice de satisfação dos advogados gaúchos na nossa gestão era de 93%. Foi a seccional com a melhor avaliação em todo o Brasil. E, para coroar tudo isso, nosso candidato, Marcelo Bertolucci, foi eleito para presidente da OAB/RS com mais de 70% dos votos. Não sou eu que estou respondendo, são os advogados.
JL – Depois desses seis anos, o senhor não vai descansar, vai para o Conselho Federal da OAB. Qual é a motivação para continuar frente às questões da Ordem?
Lamachia –
Eu não me coloquei em uma reeleição para a presidência da Ordem porque entendo que devo ser o primeiro a dar o exemplo em termos de renovação. Eu poderia ir para uma terceira gestão – a legislação interna permite isso – e imagino que seria reeleito, mas preferi não fazê-lo. Acho que o processo de renovação interna da OAB é muito importante. Por isso lançamos um candidato para dar sequência a este trabalho, e a advocacia aprovou isso. A tendência natural é de que eu continue trabalhando, o que me levou a me candidatar ao Conselho Federal. São outras lutas e outros desafios. Temos inclusive a perspectiva de ter uma participação na presidência do Conselho Federal da OAB, incialmente como vice-presidente, para daqui a três anos tentar a presidência da OAB nacional. A OAB/RS tem 80 anos e nunca teve cargos de presidência no Conselho Federal.

Fonte: Jornal do Comércio

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