Entressafra de cana será curta no Centro-Oeste

Jean-Pierre Pingoud/Bloomberg

Enquanto a maior parte das usinas sucroalcooleiras localizadas em São Paulo e em outros Estados do Sudeste e do Sul do país deverá ter uma entressafra mais longa que a passada, as unidades do Centro-Oeste caminham no sentido contrário, já que a região registrou chuvas acima da média em alguns períodos da temporada que contribuíram para o atraso do cronograma de processamento de cana.

É o caso da CerradinhoBio, dona de uma destilaria em Chapadão do Céu (GO). A previsão é que a unidade fique parada para manutenção por apenas 40 dias, afirmou ao Valor Luciano Fernandes, presidente do conselho da companhia, durante evento promovido pela União das Indústrias de Cana-de-Açúcar (Unica) ontem na capital paulista.

O "descanso" previsto é semelhante ao da safra passada. A moagem da usina na temporada atual (2016/17) está programada para se estender até o dia 20 de dezembro. A cana que "sobrar" da safra em curso será suficiente para permitir que a unidade antecipe a moagem para o início de fevereiro e fique abastecida até o fim de março.

Segundo Fernandes, em alguns momentos as chuvas acima da média interromperam a moagem, o que atrasou o calendário deste ciclo – isso além da escassez de oferta de alguns fornecedores na região, o que também provocou suspensões temporárias das atividades. A moagem da CerradinhoBio na safra atual deverá somar 4,9 milhões de toneladas, volume que poderá subir para 5,4 milhões na próxima temporada.

Em Mato Grosso do Sul algo semelhante tende a ocorrer. As lavouras do Estado receberam chuvas acima da média entre abril e maio, o que atrasou o início da moagem nesta safra, de acordo com Roberto Holanda, presidente da Associação dos Produtores de Bioenergia do Mato Grosso do Sul (Biosul), que também participou do evento.

Por esse motivo, o processamento na maior parte das usinas de Mato Grosso do Sul deverá se alongar até o fim de dezembro. O clima deverá favorecer o avanço da moagem nas próximas semanas, já que a previsão é de tempo "mais seco que o normal", afirmou Holanda. O início da moagem da próxima safra também deve ser antecipada no Estado. Segundo o presidente da Biosul, todas as unidades sul-mato-grossense estão programadas para iniciar suas atividades em 2017/18 já em março.

Holanda disse que a estimativa inicial para a colheita no Estado – de um crescimento de 7% ante a safra passada, para 52 milhões de toneladas – está mantida, mas é possível que o aumento seja menor. Atualmente, quatro das 24 usinas instaladas no Estado não estão operando, e elas deverão continuar paradas na próximo ciclo.

Dona de três usinas em Mato Grosso do Sul, a Biosev, controlada pela Louis Dreyfus Company, prevê encerrar as atividades em todas as suas unidades do Centro-Sul em "meados de dezembro", embora cada unidade da companhia tenha um cronograma diferente, afirmou Rui Chammas, presidente da empresa, que também esteve no evento de ontem. Para as duas usinas da companhia no Nordeste (uma na Paraíba e outra no Rio Grande do Norte), o processamento desta safra deverá terminar apenas em meados do primeiro trimestre do ano que vem.

Até o fim de outubro, 55 usinas do Centro-Sul já haviam paralisado suas atividades na safra atual, ante 37 na mesma época do ano passado, conforme o último levantamento da Única. A previsão era que mais 40 unidades paralisariam suas operações na primeira metade de novembro. Com isso, um quarto de todas as usinas em operação já teria encerrado a safra.

 

Por Camila Souza Ramos | De São Paulo

Fonte : Valor

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