Entrada ilegal de soja cresce no Rio Grande do Sul

Só até setembro, já foram apreendidas 110 toneladas em portos clandestinos no Rio Uruguai

Entrada ilegal de soja cresce no Rio Grande do Sul Receita Federal/Divulgação

De janeiro a setembro de 2013 já foram interceptadas 110 toneladas de soja Foto: Receita Federal / Divulgação

Fernando Goettems

fernando.goettems@zerohora.com.br

O crescente aumento nas apreensões de soja em grão, sem procedência comprovada, na fronteira do Estado com a Argentina indica retomada de uma prática ilegal. Há 10 anos, o problema no Rio Grande do Sul era o contrabando de sementes transgênicas. Agora, o que se busca é o produto de valor menor para venda.
De 2009 para cá, o aumento das apreensões é acentuado. De acordo com a Receita Federal, nos 12 meses daquele ano foram apreendidas 7,5 toneladas. Apenas de janeiro a setembro de 2013, já foram interceptadas 110 toneladas de soja.
– Para conseguirmos caracterizar a prática do descaminho, é praticamente obrigatório o flagrante. Por isso, temos atuado forte em parceria com a Brigada Militar e a Polícia Federal nos portos clandestinos – observa Lauri Wilchen, que é auditor fiscal da Receita Federal.
Descaminho é a importação sem autorização e pagamento de taxas, diferente do contrabando, que é a compra no Exterior de produtos proibidos. No início da década, eram contrabandeadas sementes de soja transgênica ainda não liberadas no Brasil. Nos últimos anos, a prática tem sido puramente comercial.
– Antes de 2004, os produtores brasileiros queriam produzir soja transgênica e contrabandeavam sementes. Hoje, a Argentina não tem nenhuma tecnologia diferente do Brasil. Pelo contrário, temos tecnologias aqui que eles não têm – avalia o chefe-geral da Embrapa Soja, Alexandre Cattelan.
A equação feita por quem traz o produto de fora é simples: compra mais barato no país vizinho, onde a saca de 60 quilos varia de R$ 20 a R$ 30 e aqui vende pelo dobro. Nesta conta, a questão cambial tem um peso significativo.
– Na Argentina, paga-se uma taxa de 35% para exportar o grão (caso houvesse formalização). Além disso, o peso é desvalorizado tanto em relação ao real, quanto ao dólar. Comprar barato lá, trazer para o Brasil e receber em dólar pode ser um dos fatores que estimula essaprática – avalia o analista Flávio Roberto de França Júnior, da Safras & Mercado.
Para a Federação da Agricultura do Estado (Farsul), os principais prejudicados com o descaminho de soja são os próprios produtores.
– É uma concorrência desleal na venda do produto, pois essas pessoas não pagam imposto – critica Jorge Rodrigues, presidente da Comissão de Grãos da Farsul.
NEGÓCIO ARRISCADO
A circulação de grãos e sementes sem procedência traz riscos ao campo

— A entrada da soja ilegal traz diferentes problemas. Segundo Alexandre Cattelan, chefe-geral da Embrapa, o primeiro que pode ocorrer é de natureza fitossanitária. O outro, é econômico.
— Soja de procedência desconhecida pode fazer com doenças não registradas no Brasil se disseminem pelas lavouras do país.
— Além disso, há o perigo de cultivares que chegam aqui não terem resistência a pragas existentes no país. Isso pode fazer com que ocorra, a longo prazo, uma seleção natural. A soja ficaria sem resistência.
— Sementes de origem desconhecida podem levar à queda de produtividade, devido a problema de vigor e germinação.

Fonte: Zero Hora

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