Entenda como ocorre a identificação em laboratório da praga que ataca as lavouras de soja

Instituição de Porto Alegre é uma das três autorizadas a receber amostras do Ministério da Agricultura para confirmação da helicoverpa armigera

Entenda como ocorre a identificação em laboratório da praga que ataca as lavouras de soja Diego Vara/Agencia RBS

Trabalho é feito em laboratório de Porto Alegre Foto: Diego Vara / Agencia RBS

Vagner Benites

vagner.benites@zerohora.com.br

Combater a presença da temida Helicoverpa armigera nas lavouras do país passa pela identificação correta da praga, confirmada nesta safra nos campos do Rio Grande do Sul após prejuízos bilionários na Bahia e no Centro-Oeste no ciclo anterior. Apenas três laboratórios do país foram autorizados a receber as amostras recolhidas pelo Ministério da Agricultura, dois públicos, em São Paulo e Minas Gerais, e um em Porto Alegre, o único da iniciativa privada.
De julho a novembro, o Agronômica Laboratório de Diagnóstico Fitossanitário recebeu 96 amostras de adultos machos das mariposas vindas de sete Estados ( Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Bahia, Minas Gerais, Paraná e Santa Catarina).
VÍDEO: entenda como funciona o processo de identificação da Helicoverpa armigera

O trabalho requer uma técnica específica, para a qual apenas um funcionário está habilitado. Para realizar o teste de identificação morfológica da praga, único feito no país, no início do ano o entomologista Vinícius Ferreira foi para a Bahia fazer um treinamento. O trabalho em laboratório é a única forma de comprovar a presença da praga, já que não é possível a identificação visual da mariposa, idêntica à de outra espécie, a Helicoverpa zea (mais comum e menos agressiva).
– Começamos a fazer os testes na Capital no meio do ano, mas o período mais intenso de trabalho tem sido agora – comenta Ferreira.

O compromisso do laboratório gaúcho é entregar o resultado em até sete dias. Excluída a etapa burocrática, que inclui registro das amostras, cadastro e envio do laudo, o trabalho no laboratório pode ser feito em uma tarde. Curiosamente, do material enviado pelo ministério ao Agronômica nenhuma amostra era do Rio Grande do Sul. No Estado, a confirmação da presença da Helicoverpa armigera em seis municípios ocorreu por um trabalho da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) em parceria com uma empresa privada.
Cada teste feito pelo Agronômica custa R$ 50. Por cerca de R$ 80, o laboratório estima que até o início de janeiro estará disponível uma nova opção ao produtor interessado. A expectativa é que a chamada identificação molecular possa acelerar o trabalho, pois não ficará dependente da captura de adultos machos da mariposa.
A identificação é feita a partir do DNA tanto da mariposa – macho ou fêmea – quanto da lagarta, em qualquer etapa da evolução. O resultado sai em até dois dias, redução de tempo preciosa para tomada de decisões durante o ciclo. Para ir além das amostras oficiais enviadas pelo Ministério da Agricultura, a direção do laboratório já iniciou os contatos com cooperativas e produtores do Estado.
– Estamos esperando receber milhares de amostras – avalia Valmir Duarte, diretor do Agronômica.

Fonte: Zero Hora

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