Entenda a crise entre o governo Bolsonaro e o Inpe, órgão que mede o desmatamento no País.

O embate entre o presidente Jair Bolsonaro e o Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) sobre os dados do desmatamento na Amazônia prossegue nesta semana. O ministro Marcos Pontes (Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações) publicou uma nota na qual afirmou compartilhar do estranhamento de Bolsonaro sobre as informações relacionadas ao desmatamento na Amazônia divulgadas pelo instituto na quinta-feira (18). O presidente voltou a se pronunciar e disse que os dados deveriam passar pelas autoridades primeiro. "Eu não posso ser pego de calças curtas", declarou Bolsonaro. No fim de semana, Bolsonaro afirmou que a maneira como os dados do Inpe sobre o desmatamento no Brasil têm sido divulgados prejudica a imagem do País no exterior. Antes, o presidente declarou suspeitar que o diretor do órgão oficial responsável pela coleta dessas informações está "a serviço de alguma ONG". O diretor do Inpe, Ricardo Galvão, disse que ele até pode ser demitido, mas que o instituto é cientificamente sólido o suficiente para resistir aos ataques do governo. Ministra A ministra da Agricultura, Tereza Cristina, afirmou não acreditar em "sustentabilidade e preservação ambiental com miséria" e defendeu que produtores rurais sejam recompensados pelas áreas que conservarem. "Onde tem miséria você não vai preservar", disse em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo. Ela reconheceu que o Brasil tem uma imagem ruim no exterior sobre preservação ambiental e argumentou que, muitas vezes, o setor agrícola europeu usa isso como justificativa para proteger os seus produtores rurais de mercadorias brasileiras. Uma das principais negociadoras do acordo de livrecomércio assinado entre o Mercosul e a União Europeia, Tereza Cristina declarou que os setores nacionais mais vulneráveis terão um tempo para se adaptar ao tratado comercial. "Nós conversamos com vários setores que têm mais fragilidade para esse acordo. Agora começa uma nova fase. Temos a parte legal, a parte dos Congressos do Mercosul. Eles têm lá a fase deles. Não é uma coisa que vai acontecer rapidamente. Todo o mundo estima que, para esse acordo ser implementado, vai levar de um ano e meio a dois anos. Temos esse prazo para trabalhar nossas cadeias produtivas. Do leite e do vinho e de outras mais que possam ter alguma fragilidade", disse a ministra.

Fonte: O Sul

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