EMPRESAS E NEGÓCIOS – Com alta no preço dos grãos, BRF vê repasse “inevitável” de custos da carne ao consumidor

Mesmo após aumentar seus estoques de matéria-prima, empresa relata aumento consistente no custo médio de aquisição de insumos para produção

Após encerrar o primeiro trimestre deste ano com aumento no preço médio dos produtos vendidos 5,2 pontos percentuais abaixo da alta observada no custo de produção, na comparação anual, a BRF destacou nesta quinta-feira (13/5) que a cadeia de proteína animal do Brasil precisa passar por um “reequilíbrio financeiro e econômico para reestabelecer a sustentabilidade econômica da produção de alimentos, tanto de suínos quanto de frango”.

Durante teleconferências com analistas de mercado, o presidente da companhia, Lorival Luz, afirmou que as margens dos produtores de aves e suínos estão no pior patamar desde 2014 no Brasil e as estratégias de gestão da empresa – com aumento dos estoques de matérias-primas e de eficiência operacional – não serão capazes de evitar o repasse ao consumidor da forte valorização dos insumos, que continua a ocorrer no mercado.

Frangos em granja  (Foto: Getty Images)

Frangos em granja (Foto: Getty Images)

“O preço de milho do ano passado para agora praticamente dobrou, farelos e óleos também com aumento de preços entre 50% e até 100%. A mesma coisa tem acontecido nas embalagens, tanto flexíveis quanto rígidas, de papelão – que são todos insumos para produção. Todas as empresas sofreram e têm sofrido um aumento relevante de custos e isso pode ser notado pelo índice do custo de produção da Embrapa”, ressaltou Luz.

No último trimestre, o custo dos produtos vendidos da BRF, por quilo, cresceu 27,4% na comparação com o mesmo período do ano passado. Já os custos teóricos de produção de frango e suíno calculados pela Embrapa subiram 70,3% e 77,1% no mesmo período.

A empresa atribui a diferença a uma maior eficiência operacional e à estratégia de aumentar em 2,5 vezes o seu estoque de matérias-primas no ano passado. A medida foi mantida neste primeiro trimestre de 2021, mas Luz destacou que, pouco a pouco, o custo médio de aquisição desses insumos tem subido.

“Cada vez mais o custo médio do nosso estoque de grãos ou o custo médio dos outros insumos e matérias-primas que precisamos, como das embalagens, estarão subindo. Nós temos, sim, muita competitividade na área de suprimentos e em fazer essa gestão, mas para o segundo semestre cada vez mais esses custos impactarão e estarão na base de custos de toda a indústria”, avaliou o executivo.

Na mesma linha, o vice-presidente da companhia no Brasil, Sidney Manzaro, afirmou que “é inevitável que esse repasse aconteça nos preços” para o consumidor.

“O que implementamos no primeiro trimestre ainda vai ter reflexos no segundo trimestre para que a gente possa, sim, reequilibrar essa equação de custos e preços, mas é inevitável que isso aconteça [repasse de preços] diante do aumento e custos”, afirmou Manzaro.

Redução no peso

Em entrevista à Reuters, o presidente da companhia, Lorival Luz, adicionou que a BRF não descarta reduzir o peso dos animais abatidos para contornar a alta nos preços dos insumos diante de uma economia combalida no mercado interno.

“Este cenário, esse aumento de custos, ainda não está refletido no preço de venda, mas é algo que sem dúvida ainda terá impacto para o segundo semestre”, lembrou Luz ao destacar a importância da vacinação contra a Covid-19 para que os preços no mercado interno acompanhem o “novo patamar” de custos do setor.

“Já estamos vendo em outros países onde nós atuamos e exportamos um aumento da demanda nos setores de turismo de lazer, turismo de negócios, de food service, dos restaurantes que voltam a ter essa demanda mais aquecida porque a vacinação está avançando. Então, a perspectiva aqui para o Brasil a gente espera que isso comece a melhorar a medida que avance a vacinação. Mas, sem dúvida, é um novo patamar de custos e teremos uma nova readequação para estabilizar esta situação – coisa que já tem e está ocorrendo de forma mais rápida no mundo", conclui Luz.

CLEYTON VILARINO, COM INFORMAÇÕES DA REUTERS

Fonte : Globo Rural

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