Empresa de sementes reforça a aposta no segmento doméstico

Diante dos altos e baixos do mercado de frutas, verduras e legumes no Brasil, cuja sazonalidade e maior vulnerabilidade a intempéries causam forte volatilidade nos preços e na área plantada dessas culturas, empresas originalmente voltadas à venda de sementes para o segmento profissional reforçam a aposta no consumo doméstico do insumo.

Com faturamento anual entre R$ 40 milhões e R$ 60 milhões, a Isla Sementes tem hoje 50% de suas vendas voltadas para hortas domésticas. Segundo Andrei Santos, diretor de planejamento da Isla, cuja sede fica em Porto Alegre, as vendas para o segmento não profissional registram aumento de 15% a 20% ao ano.

Parte desse avanço se deve ao investimento da empresa nos últimos seis anos em marketing digital direcionado ao consumidor doméstico, afirma Santos.

De acordo com a Associação Brasileira do Comércio de Sementes e Mudas (ABCSEM), 80 milhões de sachês de sementes de hortícolas para plantio doméstico foram comercializadas em 2017, com um valor de R$ 172 milhões. O segmento como um todo – considerando as sementes de hortícolas destinadas ao plantio profissional – movimentou R$ 66 bilhões no ano passado. As principais espécies procuradas foram as culturas de alface, rúcula, coentro, quiabo e repolho.

Ainda pequeno, o mercado não profissional de sementes de hortaliças tem particularidades que precisaram ser contornadas pela Isla nos últimos anos. Um dos principais motivos é a diferença na apresentação do produto quando destinado ao comércio varejista e quando destinado ao agricultor profissional.

Na linha para horta em casa, as sementes são embaladas em envelopes com quantidades e preços fixos, independentemente do tipo de semente. Na linha profissional, as vendas são feitas por quilo.

"Um produtor profissional vai estar muito mais preocupado com a questão da produtividade, rendimento, padrão de fruto e folha para atender a uma demanda comercial. Já para o público da horta em casa, as preocupações são outras", observa Santos, ao apontar as diferenças adotadas na estratégia de marketing da empresa, que inclui ações em redes sociais e mídias digitais.

No segmento doméstico, segundo ele, é mais relevante indicar ao consumidor o que é adequado para plantar em relação à época do ano ou ao espaço que ele tem disponível para isso, além de dar dicas básicas de cultivo. "São questões que, para um produtor profissional, são óbvias", explica o diretor da Isla.

De acordo com os dados mais recentes da Confederação da Agricultura e da Pecuária do Brasil (CNA), a produção e o comércio de frutas, verduras e legumes no país movimentaram US$ 20 bilhões em 2016, com geração de 2,2 milhões de empregos diretos.

Por Cleyton Vilarino | De São Paulo

Fonte : Valor

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