Empresa de recebíveis agrícolas recebe aporte

Fonte:  Valor | Por Vinícius Pinheiro | De São Paulo

Luis Ushirobira/Valor/Luis Ushirobira/Valor
"O crédito para o agronegócio já é relevante no balanço dos bancos e vem crescendo", diz Cintra Neto, presidente do conselho da Agrosec

Com uma injeção de capital de R$ 2,1 milhões de quatro bancos, a Brasil Agrosec, securitizadora de direitos creditórios do agronegócio, acaba de efetivar uma nova estrutura societária. A operação marcou a entrada do Banco JBS e do grupo Ourinvest na companhia. As instituições se juntam aos bancos Fator e Indusval, que iniciaram as atividades da empresa, no fim do ano passado, e também participaram da operação.

Os novos sócios estão de olho em um mercado praticamente inexplorado. O volume de títulos ligados ao agronegócio registrado na Cetip – responsável por 90% do estoque total – é de pouco mais de R$ 22 bilhões. Desse total, menos de 1% estão na forma de Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA), instrumento que pode ser emitido pela securitizadora.

A empresa pretende se valer dos incentivos como a isenção de imposto de renda no investimento em CRA para pessoas físicas para fomentar esse mercado, afirma Manoel Felix Cintra Neto, presidente do conselho de administração da Brasil Agrosec e do Indusval.

Além do capital, os sócios agregam conhecimento à nova empresa, destaca Cintra Neto. É o caso do grupo Ourinvest, que também é o principal acionista da Brazilian Securities, uma das principais empresas de securitização imobiliária.

Capitalizada, a Agrosec começa a formar o time de executivos. Para a superintendência comercial foi contratado Sergio Camargo Penteado (ex- Sofisa) enquanto Clidio Pereira de Carvalho ocupará a diretoria executiva.

Carlos Catraio, ex-diretor do Unibanco e do Bank of America, deve seguir na presidência interina da companhia até o fim do ano, quando a empresa já espera ter um contratado um executivo do mercado. Chamado para colocar o projeto da Agrosec de pé, ao lado do advogado Renato Buranello, do escritório Demarest & Almeida Advogados, Catraio também passa a ter uma participação no capital da companhia a partir do aporte dos bancos.

Segundo Catraio, a securitizadora está aberta para receber novos sócios, embora não tenha necessidade de capital no curto prazo. "A companhia não é um negócio para servir apenas aos sócios, é voltada para o mercado", ressalta.

O executivo não mencionou nomes, mas o Valor apurou que os bancos BTG Pactual e Votorantim chegaram a negociar com a companhia, mas as conversas não avançaram. O plano, agora, seria atrair um banco público e um estrangeiro para a sociedade.

A Agrosec estreou no mercado no início do ano, com uma captação de R$ 50 milhões de CRA realizada pelo Banco Fator. A operação teve lastro em Cédulas de Produto Rural (CPR) emitidas por pecuaristas de diversos Estados e foi distribuída para clientes "private" do banco.

A expectativa é de que a próxima operação venha a mercado até o início de 2012. Para se tornarem atrativas, as emissões devem reunir valores maiores do que a inicial, de pelo menos R$ 100 milhões, segundo Catraio.

Os executivos acreditam que a securitização das carteiras de financiamento agrícola interessa aos bancos. "O crédito para o agronegócio já é relevante no balanço dos bancos e vem crescendo", afirma Cintra Neto. O saldo do crédito rural encerrou setembro em R$ 135 bilhões, o que representa um aumento de 13% em relação a igual período do ano passado, de acordo com dados do Banco Central.

Para que o negócio de securitização agrícola ganhe força, é preciso vencer ainda uma visão antiga, e que ainda prevalece no mercado, de que o produtor é um mau pagador. "Desde a criação da CPR, que é indexada ao preço do produto e traz garantias consistentes, o crédito agrícola não é mais visto como ovelha negra", diz Cintra Neto.

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