Empresa busca ‘novo nível de qualidade’ para o grão

Conhecida por ser uma das pioneiras na produção de cafés especiais no Brasil, a Ipanema Coffees avalia que é preciso encontrar um novo diferencial nesse mercado. "O mercado de café especiais ficou muito largo. É preciso achar uma nova forma de distinção", afirma Washington Rodrigues, diretor presidente da companhia.

Segundo Rodrigues, existe hoje um novo tipo de cliente no mercado, empresas pequenas buscando diferenciação nos cafés. "Grandes grupos querem consistência e qualidade. As empresas pequenas não têm grandes volumes, mas o mais importante é a diferenciação da taça. Elas querem um café outstanding [excepcional]", diz.

Essas pequenas empresas têm alimentado o que Rodrigues chama de "o novo mundo dos microlotes" de café. "Vejo um retorno dos ‘coffee hunters’, dos anos 1990", diz, numa referência a profissionais que buscavam cafés diferenciados no mercado. Nessa época, a cafeteria americana Starbucks, da qual a Ipanema era a fornecedora exclusiva no Brasil, ainda não tinha se popularizado e apostava nesse nicho. Hoje, as vendas da Ipanema à Starbucks são apenas marginais e se destinam à linha de cafés especiais – chamada Reserve – da empresa americana.

De acordo com Rodrigues, a Ipanema já começou essa busca por diferenciação, e o objetivo é aumentar a graduação dos grãos especiais que oferta no mercado. Em parceria com a Unicamp, a empresa tem realizado testes na fazenda Rio Verde, em Conceição do Rio Verde, que envolvem desde o processo de colheita até o de secagem dos grãos.

A partir desses testes, a Ipanema espera identificar quais os melhores métodos e equipamentos para atingir "um novo nível de qualidade" para o café, afirma ele. Hoje os cafés especiais da Ipanema têm pontuação, em média, entre 80 e 85, conforme os critérios da Associação Americana de Cafés Especiais. "Queremos que essa média fique acima de 85 [pontos]", diz.

Enquanto busca esse "novo nível de qualidade" para o café, a Ipanema amplia seu portfólio de clientes no mundo. No último ano, passou a fornecer grãos para a rede de cafeterias americana Circle K e para a Finlay’s, de origem escocesa. Entre os principais clientes da Ipanema hoje estão a suíça Nestlé, a alemã Tchibo, a japonesa Lawson e a Jacobs Douwe Egberts (JDE), que é dona de várias marcas de café e de redes de cafeterias nos EUA.

Por Alda do Amaral Rocha | De São Paulo

Fonte : Valor

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