Emergentes puxam demanda por lácteos

A oportunidade de negócios para a indústria de laticínios em todo o mundo está nos 2,7 bilhões de novos consumidores das nações em desenvolvimento, especialmente, China, Índia, Indonésia, Brasil, Paquistão e Quênia. A população de baixa renda destes países, que ganha entre US$ 2 e US$ 8 por dia, e formam 40% da população mundial, respondem por 38% do consumo de produtos lácteos líquidos (LDP), como leite branco, achocolatados, em pó, etc., com o consumo de 72,5 bilhões de litros registrados em 2011.

A radiografia do setor foi feita pela Tetra Pak, empresa de processamento e envase de alimentos presente em 85 países, por meio de um relatório anual que busca identificar tendências da área. "O crescimento dos países emergentes nos últimos dez anos possibilitou que milhões de consumidores de baixa renda tivessem acesso aos bens de consumo", avalia Dennis Jönsson, principal executivo da empresa (CEO).

A recente pesquisa nomeia estes futuros consumidores como DIP – Deeper in the Pyramid – ou "No meio da pirâmide", na versão em português. Segundo a Boston Consulting Group, que auxiliou a Tetra Pak a identificar a nova estratégia, os hábitos de consumo desta população estão em transformação. Para chegar até ela, a empresa tem ciência que será necessária a distribuição em pequenos estabelecimentos – como as "vendas" na zona rural do Brasil – e produtos em embalagens menores de 70, 100 e 125 ml, com custo mais barato, em torno de US$ 0,20, para achocolatados e leite aromatizado.

O estudo revela que o consumo global de LDP aumentará cerca de 3% por ano até 2014 na Ásia, África e América Latina. As bebidas à base de ácido láctico, espécie de iogurte líquido, leites infantis e aromatizados, devem crescer 11,9%, 9% e 4,8%, respectivamente na Ásia.

No Brasil, o aumento no consumo de produtos longa-vida – basicamente achocolatados – está no Nordeste, cujo Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 4,2% por ano, durante a década passada, comparado com os 3,6% do país como um todo. As vendas na região cresceram 32% entre 2008 e 2011. Em outros lugares do país elas foram de 14% no mesmo período. Para Paulo Nigro, vice-presidente da Tetra Pak na América Central e do Sul, "é essencial identificar novas tendências para se aproximar dos consumidores", diz. (JK)

Fonte: Valor | Por De São Paulo

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *