Embrapa vai investir em outras matérias-primas

Com os custos de produção em alta, o governo espera que a indústria nacional de etanol também faça sua parte para que o setor saia da estagnação em que se encontra. A expectativa é de que as usinas invistam no aumento da área plantada, ampliem a mecanização e diversifiquem as matérias-primas usadas na produção de etanol para estender o período de uso da usina, que pode ficar parada durante a entressafra da cana-de-açúcar.

Em contrapartida, o governo realiza uma série de pesquisas para aumentar a produtividade. As mudanças estudadas vão além do pacote generalista de técnicas de plantio e colheita, e uso de insumos de forma mais eficaz. A Embrapa Agroenergia está na reta final daquela que é a principal demanda do setor: o etanol de 2ª geração. A tecnologia já é dominada pela estatal, mas seu custo ainda é muito alto para a produção em larga escala. A tecnologia consiste em transformar o bagaço da cana, a biomassa, em etanol. "Existe a viabilidade e temos a tecnologia, mas ainda não é viável do ponto de vista econômico", afirmou o chefe-geral da Embrapa Agroenergia, Manoel Teixeira Souza Júnior.

Antes mesmo de ser disseminada, a tecnologia pode enfrentar um mercado concorrido. O bagaço da cana é hoje utilizado por praticamente todas as usinas para gerar sua própria energia. Das 430 usinas em operação no país, cerca de 160 estão, inclusive, comercializando o excedente.

O governo analisa a possibilidade de realizar leilões de cogeração com a queima do bagaço da cana. "Lentamente, o setor está se adaptando para atender as refinarias de bioeletricidade. Quando o etanol de 2ª geração estiver pronto do ponto de vista comercial, o produto terá que enfrentar mais esse concorrente [de geração]", disse Souza Júnior.

Atualmente, a Embrapa trabalha com desenvolvimento de tecnologias diferentes para a produção de etanol por meio de outras culturas para atender pedidos do setor produtivo, como o sorgo, agave azul – usado para a produção de tequila -, a beterraba açucareira e a mandioca. "É importante variar as matérias-primas para que regiões sem histórico de produção de etanol possam entrar mercado e ampliar a produção do país", disse Souza Júnior.

"O agave azul está sendo testado no Nordeste, onde o clima é parecido com o México e pode ser uma fonte viável. No Sul, testamos a beterraba açucareira. Além disso, temos a mandioca que, desde o Proálcool, na década de 70, foi considerada uma fonte alternativa e volta forte em diversas regiões do país", disse. (TV e AB)

Fonte: Valor | Por De Brasília

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