Embrapa testa tecnologias de produção de sorgo sacarino em Mato Grosso

Produto é visto como alternativa complementar à cana na produção de etanol

por Globo Rural On-line

Editora Globo

Uma alternativa complementar à cana-de-açúcar naprodução de etanol. Assim é visto o sorgo sacarino, uma variedade de sorgo que retém açúcares em seus colmos e que pode ser utilizado em usinas durante a entressafra da cana. Apesar de seu grande potencial, a cultura ainda é pouco utilizada no país.
Se depender das pesquisas, entretanto, esta situação pode mudar. Pesquisadores da Embrapa Milho e Sorgo vêm desenvolvendo avaliações de tecnologias para esta cultura em diferentes regiões do país. Em Mato Grosso, experimentos são conduzidos na Embrapa Agrossilvipastoril, em Sinop. Neles são avaliadas questões como a época de plantio, desempenho de cultivares, espaçamento entre plantas e densidade populacional. Os trabalhos buscam a definição de um sistema de produção adequado às condições naturais da região Centro-Oeste.
Iniciadas no fim de 2011, estas pesquisas ainda estão em fase de avaliação. A expectativa dos pesquisadores é de que a partir de maio já seja possível obter as primeiras informações sobre a cultura em Mato Grosso.
Segundo o pesquisador Alexandre Ferreira o sorgo sacarino não deve ser visto como um substituto da cana-de-açúcar, mas sim como uma cultura complementar. Sobretudo no período de entressafra da cana, quando as usinas ficam ociosas.
“Para processar o colmo do sorgo, onde está o açúcar, são necessários poucos ajustes no campo e nenhuma adaptação na área industrial. Os colmos podem ser processados na mesma instalação destinada à produção de etanol de cana-de-açúcar, oferecendo também uma quantidade de resíduo fibroso (bagaço) para gerar o vapor necessário para a operação industrial”, afirma o pesquisador da Embrapa Milho e Sorgo.
Ainda de acordo com Alexandre Ferreira, a utilização das duas culturas como matéria prima para a produção do etanol pode permitir um melhor uso dos colmos da cana-de-açúcar após atingirem a maturação completa, o que representa teores mais elevados de açúcares.

Ciclo de produção

Segundo a o pesquisador, uma das vantagens do sorgo sacarino é o menor tempo de produção. Enquanto a cana-de-açúcar leva de um ano a um ano e meio para ser colhida, o sorgo pode ir para a destilaria com 120 dias. Desta forma, é possível colher o sorgo sacarino durante o período chuvoso, a entressafra da cana-de-açúcar.
Com custo de produção abaixo da metade do custo do canavial, o material não chega a ter o mesmo rendimento da cana-de-açúcar. Entretanto, como se trata de uma cultura de ciclo rápido, é possível fazer mais de uma safra anual, ou ainda o consórcio com outras culturas, gerando, assim, uma compensação aos produtores.
Ferreira ainda alerta para o fato de o sorgo sacarino ser uma alternativa em locais onde o cultivo da cana-de-açúcar não é permitido ou não é recomendado. “O zoneamento agrícola de Mato Grosso não permite a cultura de cana-de-açúcar em parte do estado. O sorgo sacarino poderia entrar como uma alternativa para a produção de etanol”, explica.

Fonte: Globo Rural

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