Embrapa Soja descobre inimigos naturais que atuam contra helicoverpa

SÃO PAULO  -  Estudo conduzido pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) mostrou que inimigos naturais estão agindo no controle da helicoverpa, praga que recentemente começou a provocar danos mais severos às lavouras do país, especialmente as de soja, milho e algodão. Estima-se que somente na safra passada, a 2012/13, os prejuízos tenham chegado a R$ 2 bilhões.

Os pesquisadores da Embrapa iniciaram trabalhos para conhecer melhor o comportamento da praga na cultura da soja, e parte das lagartas coletadas, suspeitas de serem a Helicoverpa armigera (a que mais tem atacado no país) estavam infectadas por nematóides ou atacadas por parasitóides.

“A presença desses inimigos naturais é muito importante para o equilíbrio da lavoura à medida que a safra vai se desenvolvendo, pois com um manejo adequado, a tendência é das populações de inimigos naturais crescerem”, explicou Clara Beatriz Hoffmann-Campo, da Embrapa Soja, em boletim.

É por isso, segundo ela, que os pesquisadores estão reforçando a orientação para que o produtor monitore as lavouras e decida de maneira mais criteriosa sobre o controle da praga, para evitar a aplicação indiscriminada de defensivos, sejam biológicos ou químicos.

O levantamento mostrou que em algumas regiões, como Mauá da Serra, no norte do Paraná, cerca de 30% das lagartas coletadas estavam infectadas por nematoides, mas um nematoide “do bem”. “Em algum momento, que ainda não sabemos exatamente como funciona, a lagarta é infectada por esse nematoide, que não é o mesmo que ataca as raízes das plantas”, explica a Clara.

Na região de Roncandor, a proporção de lagartas infectadas pode ser ainda maior. “Isso nos alerta para a importância de um bom manejo na fase inicial da cultura da soja, para que esses inimigos naturais sejam preservados e mantidos vivos no campo”, disse a pesquisadora.

Já os parasitoides encontrados são principalmente moscas da família Tachinidae, que se desenvolvem no interior da lagarta e, ao completar seu desenvolvimento, matam o inseto promovendo um controle natural da praga. “Encontramos de 1 a 4 parasitoides por lagarta, o que indica potencial multiplicador deste inimigo natural no campo”, afirmou Clara. Esses parasitoides prestam o mesmo serviço ambiental atacando outras espécies de lagartas, como a Anticarsia e a Spodoptera.

(Mariana Caetano | Valor)

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Fonte: Valor | Por Mariana Caetano | Valor

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