Embrapa estuda novo uso de suas propriedades

Instituição de pesquisa está em processo de reestruturação
Em processo de reestruturação desde o ano passado, o que inclui redução de cargos em comissão, programa de demissões voluntárias e redução do número de escritórios, a Embrapa estuda uma forma de rentabilizar melhor os 106 mil hectares de terras que possui espalhados pelo Brasil.O anúncio foi feito na manhã desta segunda-feira, durante balanço das ações da instituição, que completa 47 anos em 2020, em coletiva de imprensa virtual com o presidente da instituição, Celso Moretti.

Até o final deste semestre, afirmou Moretti, uma consultoria externa deverá ser contratada para dar prosseguimento aos projetos de reestruturação da empresa de pesquisas agropecuária do governo federal. Apesar de o orçamento deste ano ter sido preservado praticamente em sua totalidade em 2020 em relação ao ano anterior, com previsão de R$ 3,7 bilhões, disse Moretti, a Embrapa tem buscando ampliar as parcerias com o setor privado para avançar nas demandas do campo.

Hoje, são mais de 950 projetos em andamento, e o volume de parcerias com empresas em pesquisa quase dobrou, assegura o presidente da estatal. Um dos estudos que a Embrapa está desenvolvendo, e que interessa diretamente ao Rio Grande do Sul, é uma variedade de soja mais resistente ao déficit hídrico, problema que afetou grande parte da produção gaúcha do grão neste ano.

A cultivar, porém, ainda deve demorar no mínimo cinco anos para chegar ao mercado, estima o presidente da empresa. A pesquisa ainda tem um caminho longo, de acordo com Moretti, precisando de diferentes etapas de testes até que possa ser comercializada.

“Estamos estudando o genoma da soja para identificar gens que já presentes no grão e que dão a ele a adaptação à seca e que em alguns momentos estão adormecidos, mas podem ser estimulados a entrar em funcionamento e inseridos em variedades de interesse comercial”, explica.

Um dos focos dos estudos da Embrapa para os próximos anos, diz o presidente da empresa, é na área de bioinsumos. Ele cita como exemplo o BiomaPhos, um inoculante colocado no mercado em setembro de 2019, em parceria com a iniciativa privada, para enriquecer o solo e aumentar a produtividade por meio da maior absorção natural do fósforo. O BiomaPhos foi desenvolvido a partir de duas bactérias, uma que permitem a liberação de fósforo já presente no solo e a outra leva à planta absorvê-lo.

“Entre as prioridades da Embrapa está a economia de base biológica, com os bioinsumos.

Um bom exemplo é uma tecnologia de fixação biológica de nitrogênio criado ainda nos anos 1980 e que trouxe um impacto de R$ 22 bilhões apenas com seu uso na safra de soja do ciclo 2019. É caminho do Biomaphos”, destaca Moretti.

As outras prioridades são pesquisas nas áreas de agricultura digital, a edição genômica de plantas, animais e micro-organismos e a integração lavoura-pecuária– floresta. Até o final deste ano, a Embrapa pretende lançar um selo para certificar a produção de carne carbono zero, antecipa Moretti, o que pode ajudar nas exportações do produto.

Fonte: Jornal do Comércio