Embarque de café cai mais uma vez e amplia retração no ano

As exportações brasileiras de café registraram novo recuo em agosto, ampliando a frustração dos exportadores que vinham indicando expectativa de recuperação a partir do segundo semestre do ano. No mês passado, as exportações brasileiras de café verde e industrializado tiveram queda de 22% sobre igual período de 2016, para 2,374 milhões de sacas, segundo o o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (CeCafé). Os números consideram as vendas externas de cafés arábica e conilon.

A receita com as vendas externas também caiu de forma expressiva na mesma comparação, 20,5%, para US$ 388,54 milhões. O preço médio na exportação no período foi de US$ 163,63, alta de 1,9%.

Do volume total embarcado em agosto, 2,092 milhões de sacas foram de café arábica, com recuo de 21,2% sobre igual momento de 2016. As vendas externas de conilon caíram 31%, para apenas 27, 35 mil sacas, refletindo a seca que derrubou a produção em regiões produtoras, como o Espírito Santo.

As exportações de café solúvel – cuja principal matéria-prima é o conilon – caíram 26,5% em agosto, para 253,75 mil sacas. As vendas externas de café torrado e moído totalizaram 1.178 sacas, queda de 63,1% sobre o volume exportado em agosto do ano passado.

Apesar do recuo persistente, o CeCafé destacou que o volume de produto embarcado em agosto foi 27,4% superior ao de julho, quando havia somado 1,752 milhão de sacas. "Agosto já traz para o setor uma perspectiva melhor, ainda que tímida, com dados mostrando sinais de recuperação. Isso reflete também em uma tendência para os próximos meses, como consequência das últimas safras colhidas. A expectativa é que, em setembro, o volume de exportação siga com disposição a crescer em torno de 20%", disse o presidente do Cecafé, Nelson Carvalhaes em nota. Ele acrescentou que "os resultados já eram esperados por conta do cenário com uma safra menor e baixos estoques de cafés remanescentes".

Entre agentes do mercado, a avaliação é de que as exportações seguem fracas em relação a 2016 não apenas em decorrência da menor disponibilidade de café, mas também porque os cafeicultores estão segurando a oferta, pois estão descontentes com os atuais preços do produto.

No acumulado do ano até agosto, as exportações também estão em queda – de 9,2% -, para 19,33 milhões de sacas. A receita obtida com as exportações no período foi de US$ 3,31 bilhões, com alta de 3,9% em relação ao mesmo intervalo de 2016.

Ontem, a Organização Internacional do Café (OIC) destacou em relatório que as exportações globais em julho (último dado compilado pela entidade) somaram 9,4 milhões de sacas, 11% mais do que no mesmo mês de 2016, elevando os estoques do grão em países importadores. A entidade observou que enquanto os embarques do Brasil e do Vietnã caíram, os da Colômbia e da Indonésia avançaram em julho passado.

Considerando os primeiros 10 meses do no ano-safra internacional (outubro de 2016 a julho de 2017), as exportações mundiais de café somaram 101,93 milhões de sacas, 5,9% acima de igual período do ano anterior.

 

Por Fernanda Pressinott e Alda do Amaral Rocha | São Paulo

Fonte : Valor

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