Embargo da UE é confirmado e afeta 20 plantas

Giuliano Gomes/PR Press/Folhapress

Os países-membros da União Europeia confirmaram as expectativas e, em decisão unânime, decidiram embargar 20 plantas brasileiras que exportam carne de frango ao bloco. Segundo a ABPA, entidade que representa empresas do segmento, a medida poderá gerar perdas de até US$ 300 milhões por ano. A dura decisão antecede uma nova rodada de negociações entre UE e Mercosul, na semana que vem.

A barreira, que entrará em vigor 15 dias depois de ser publicada no jornal oficial da Comissão Europeia, é consequência de deficiências detectadas pelos europeus no controle de salmonela no produto. As investigações da UE começaram antes da Operação Trapaça, deflagrada pela Polícia Federal em março com foco em fraudes cometidas pela BRF e laboratórios em testes para medir a presença da bactéria em cortes de carne de frango para exportação. A companhia brasileira não escapou de ser a mais prejudicada na lista.

Das 20 unidades que foram proibidas de exportar à UE, 12 são da BRF, localizadas em Rio Verde (GO), Concórdia (SC), Dourados (MS), Serafina Correa (RS), Chapecó (SC), Várzea Grande (MT), Capinzal (SC), Ponta Grossa (PR), Marau (RS), Toledo (PR), Francisco Beltrão (PR) e Nova Mutum (MT). Mas também foram barradas plantas das cooperativas paranaenses Copacol, Copagril, Coopavel e LAR, além de fábricas da Avenorte Avícola, de Cianorte (PR), da Zanchetta Alimentos, de Boituva (SP), da São Salvador Alimentos, de Itaberaí (GO), e da Bello Alimentos, de Itaquiraí (MS).

"Temos um problema, mas não é o fim do mundo e, se resolvido, tudo volta ao normal. As empresas devem ter capacidade de passar este momento de dificuldade", afirmou o ministro da Agricultura, Blairo Maggi, durante visita à cooperativa Coamo, com sede Campo Mourão (PR). "Isso tudo requer um tempo para voltar à normalidade. Mas todos os frigoríficos não exportam só para a Europa. Eles têm mercado interno, mercados na Ásia, no México, em vários lugares do mundo", acrescentou Blairo.

Comunicado divulgado no início da noite de ontem pela BRF, contudo, mostra que a situação não é tão simples assim. "A companhia acredita que a decisão da Comissão Europeia de suspender as importações da BRF a partir das plantas localizadas no Brasil não foi baseada em questões sanitárias, mas pautada em motivações políticas e de proteção de seu mercado local. Tal decisão não foi precedida por uma investigação dos fatos por parte das autoridades europeias, e a BRF não teve a chance de ser ouvida. Essa decisão evidencia uma barreira comercial, que não impacta apenas a BRF, mas a balança comercial brasileira", afirma o comunicado.

E continua: "Diante dessa nova realidade, a BRF iniciará a revisão de seu planejamento de produção, que já considera o regime de férias coletivas em quatro de suas unidades: Capinzal (SC), Rio Verde (GO), Carambeí (PR) e Toledo (PR). Ainda é prematuro prever o impacto dessa revisão, dada a complexidade da cadeia produtiva na qual a BRF está inserida. A companhia informa que vai procurar seus direitos perante os órgãos responsáveis europeus e suportar integralmente as ações do governo brasileiro na Organização Mundial do Comércio (OMC) para garantir todos os direitos de continuar servindo seus clientes na Europa, a partir de seu parque fabril brasileiro".

De modo geral, afirmou Ricardo Santin, vice-presidente da ABPA, perdas poderão ser minimizadas caso outras plantas ainda autorizadas consigam ampliar os embarques. Segunda maior exportadora de carne de frango do país, a Seara, da JBS, tende a ganhar espaço. Em 2017 as vendas brasileiras de carnes de aves à UE renderam US$ 775 milhões.

Por Assis Moreira, Cristiano Zaia e Luiz Henrique Mendes | De Genebra, Brasília e São Paulo

Fonte : Valor

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