Emater estima colheita recorde na safra de verão

Soja deve ter a maior produção da história, com 19,7 milhões de toneladas, diz Emater

Soja deve ter a maior produção da história, com 19,7 milhões de toneladas, diz Emater

MARIANA CARLESSO/JC

Rafael Vigna

A Emater apresentou a primeira estimativa para a safra de verão no Estado, durante a 42ª edição da Expointer. Os dados, obtidos por uma metodologia referenciada nos últimos 10 anos, costumam ter alto índice de confiabilidade e, salvo por alguma anomalia climática, neste ano, tendem a representar uma boa notícia para os agricultores.

Juntos, os quatro principais grãos de verão (soja, milho, arroz e feijão 1ª safra) terão uma colheita incrementada em 5,76%, totalizando 33,2 milhões de toneladas – 1,8 milhão de toneladas a mais do que o registrado em igual período do ano passado. Apenas na soja, que deverá ter a maior safra da história, a projeção é de uma produção na casa de 19,7 milhões de toneladas, aumento de 6,81% na comparação com o ano passado. Com a ampliação de 1,93% na área plantada, somando 5,9 milhões de hectares, a produtividade deverá ser turbinada em 4,31%, com médias na faixa de 3,3 mil kg por hectare.

De acordo com o diretor técnico da Emater, Alencar Rugeri, um dos desafios é reproduzir os resultados da soja na Metade Norte, onde a produtividade rompe a barreira de 4 mil kg por hectare, também na Metade Sul do Estado. Rugieri ainda afirma que o feijão 1ª safra, cuja área plantada terá redução de 1,74%, mas a produtividade será expandida em 9,78%, com 1,7 mil kg por hectare, tem sido alvo de ações para impulsionar os mercados. O foco, comenta o dirigente, é a formação de cadeias mais curtas dentro do setor.

O secretário de Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural (Seapdr), Covatti Filho, comemora as projeções e chama a atenção para a elevação 1% da área plantada de milho e o acréscimo de 2,58% da produtividade. Segundo ele, um programa deverá ser lançando com o objetivo de promover a autossuficiência do grão no Estado.

A pauta, afirma Covatti, é uma demanda dos próprios produtores. "A expectativa é muito positiva. Temos a oportunidade de ter uma das maiores safras da história. Há aumento de produtividade e de área plantada. É preciso fazer a análise contando com o clima favorável, mas o otimismo que percebemos durante a Expointer fará com que tenhamos a consolidação desses dados positivos", explica o secretário da Agricultura.

Produtividade e novos mercados geram otimismo para o governo

Desempenho do campo é fator de alento para a crise fiscal, afirma Covatti Filho

Desempenho do campo é fator de alento para a crise fiscal, afirma Covatti Filho
/MARCELO G. RIBEIRO/JC

Animado com o clima positivo que circunda a 42ª edição da Expointer, o titular da Seapdr, Covatti Filho vê com bons olhos as projeções de safra. Segundo ele, o desempenho da soja, a elevação da produtividade, vinculada com as novas tecnologias, e perspectiva de abertura de novos mercados são as justificativas para otimismo.

Covatti aponta que o desempenho das lavouras também é um dos fatores de alento para a crise fiscal do Estado. "Em todos os momentos, o governador se refere à agricultura como uma grande parceira da recuperação econômica do nosso Estado. Com o crescimento da produção, com o crescimento das áreas e da expectativa de safra, a agricultura dará esse alento econômico para o nosso Estado, por meio da exportação de seus produtos", disse.

O secretário ainda cogita um novo potencial econômico com a abertura de novos mercados. Segundo Covatti, são muitas as variáveis que podem melhorar o retorno financeiro dos produtos. Entre elas, os destaques são os patamares cambiais e até mesmo a guerra comercial entre China e Estados Unidos. "Isso tudo favorece o Rio Grande do Sul", resume.

O fator soja, principal propulsor das projeções de safra para o próximo ciclo, na avaliação de Covatti, abrem espaço para exaltar o papel das novas tecnologias e podem indicar um momento marcado por investimentos com vistas no ganho de produtividade nas lavouras. "Há investimento pesado por parte dos agricultores, e as novas tecnologias influenciam diretamente no ganho de produtividade", comenta.

Em meio à crise, arroz deve amargar nova retração de área plantada

De acordo com a estimativas, apresentadas durante a Expointer, a má notícia chega, outra vez, relacionada ao arroz. Depois de amargar uma redução de 7% na área plantada na safra 2018/2019, as projeções iniciais da Emater-RS apontam para uma diminuição de mais 20 mil hectares no próximo ciclo – uma queda de 2,01% na comparação entre as safras.

Apesar da retração, a perspectiva aponta para leves ganhos de produtividade de 5,31%, passando de 7,4 mil kg por hectare para 7,8 mil kg por hectare. Vale lembrar que este aumento é projetado em cima de uma safra consolidada bastante afetada por perdas provocadas por intempéries climáticas ocorridas nas principais regiões produtoras ao longo do último ciclo.

Os problemas dessa tradicional lavoura gaúcha são agravados pelo mercado e acentuados pelo endividamento dos produtores. Isso ocorre em razão da relação negativa entre os elevados custos de produção e os baixos preços pagos pelo cereal, fator que também afeta a rentabilidade.

Em meio ao cenário desfavorável para a lavoura orizícola, o secretário da Seapdr, Covatti Filho, antecipa que o governo do Estado estuda uma campanha nacional de incentivo ao consumo. Com dois pedidos sobre a mesa – um assinado pelos produtores e outro, pela indústria -, Covatti afirma que o objetivo é desencadear uma ação eficaz para toda a cadeia.

"Antigamente, tínhamos média de 60 kg no consumo per capita. Agora, já está na casa de 30 kg", afirma Covatti. Segundo o secretário, o Rio Grande do Sul é um grande produtor de arroz, mas não um grande consumidor. "Há indícios de que, hoje, as questões estéticas apontam o arroz como um inimigo das dietas. Então pensamos em focar na informação com renomados nutricionistas para exaltar a importância do arroz e seus nutrientes", revela.

Fonte : Jornal do Comércio

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