Emater-Ascar: o apoio que não pode faltar

A agricultura familiar do Rio Grande do Sul é uma referência nacional. Esse desempenho se deve especialmente à vocação e ao esforço dos pequenos produtores gaúchos, que são verdadeira fonte de inspiração para o País. Ao lado dessas virtudes, conta também o histórico papel desempenhado pela Emater-Ascar, que presta serviços de extensão rural e assistência técnica. É uma conjugação que sustenta grande parte da nossa geração de riqueza. A entidade oferece programas de treinamento, capacitação e educação desde 1955. São mais de 250 mil famílias atendidas, atingindo 493 das 497 cidades do RS. Os resultados são perceptíveis para toda a sociedade: não apenas os indicadores econômicos do campo progridem, mas também os sociais, melhoram a autoestima e a qualidade de vida da população. Com o peso de uma caneta, no entanto, toda essa trajetória de sucesso está posta em risco. Ocorre que uma recente decisão da Justiça cassou a liminar que garantia a condição filantrópica da instituição. Caso perca essa denominação, restará à entidade pagar uma dívida, referente à contribuição previdenciária, que totaliza R$ 2 bilhões. Uma injusta dívida! Para efeitos de comparação: seu patrimônio é de aproximadamente R$ 30 milhões, ao passo que o orçamento anual não passa de R$ 240 milhões. Essa conta, como o leitor pode claramente perceber, não tem como fechar. E, dessa forma, a Emater-Ascar terá de encerrar suas atividades. Isso seria desastroso para a população rural. Nada menos que 50 mil projetos em andamento acabariam de uma hora para outra. Os pequenos produtores ficarão desassistidos, e o trabalho de inclusão social será interrompido. Se o que essa organização faz não é filantropia, então praticamente nada mais pode ser enquadrado como tal. O fim da Emater-Ascar seria um retrocesso para a economia e a sociedade gaúcha. E isso não pode acontecer.

Superintendente Técnico e de Relações Institucionais da Famurs

Fonte: Jornal do Comércio | Mario Ribas do Nascimento

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